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O
respeitável público da minha coluna não deve
saber, mas em 10 de dezembro comemoramos o Dia do Palhaço.
No mês passado não tivemos muita coisa a comemorar,
como sempre acontece. Uma homenagem aqui, uma festinha ali, e
foi só. Mas dessa vez fizemos também um protesto,
chamado Manifesto dos Palhaços. O motivo é simples
e também curioso: estão abusando do nosso nariz,
aquela bolota vermelha que a gente põe na cara como parte
da maquiagem dos palhaços.
Acontece que em tudo que é protesto, passeata, reivindicação
e sei lá mais o quê, a turma taca aquele nariz vermelho,
simbolizando o que já se tornou comum no nosso país:
estão fazendo o brasileiro de palhaço. Até
aí, tudo mais ou menos. Só que, de tanto usarem
o tal nariz, que pode ser comprado em qualquer vendedor de rua,
ele passou a ser o símbolo da roubalheira, da corrupção,
da ineficiência dos políticos. Quer dizer, o que
era para representar o humor, a descontração e a
alma divertida do palhaço, virou coisa feia, negativa,
sinônimo de gente sem escrúpulo.
Uma pena, mas é essa coisa triste que está acontecendo.Como
não existe jeito de impedir que abusem do nosso nariz de
palhaço, o jeito foi chamar a atenção do
distinto público e fazer o protesto, que ganhou espaço
em vários jornais, mas não tantos quanto a gente
gostaria.
Mas vamos em frente. Em 27 de março, teremos outra comemoração,
o Dia Nacional do Circo, quando faremos encontros, festas e palhaçadas
em geral, no bom sentido, é claro. E pretendemos reunir
em locais públicos o maior número possível
de pessoas. Claro que estará liberado o nariz vermelho
para quem quiser homenagear o palhaço.
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