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Meu
amigo Roger Donald Moreira, excelente baixista do grupo Polvos
do Deserto, me trouxe do exterior um grande presente, “The
Incredible Ups and Downs of Rock”. Em 560 páginas
emocionantes, o autor, o ex-baterista Phil “Wacko”
Guano, mostra os dois lados da maior música de todos os
tempos: a glória e a derrota, quem venceu os anos e os
modismos e quem não conseguiu.
Rolando pelas páginas, quase sempre com lágrimas
nos olhos, passei por bandas roqueiras maravilhosas que não
sobreviveram a um verão. E outras que, 40 anos depois,
estão por aí, encantando gerações.
Entre as primeiras, o Mother’s Bitter Cake, grupo
pioneiro de Seattle, pai do punk funk, que teve a carreira
mais rápida de todos os tempos: 120 horas! A banda fez
um show cinco anos atrás para 750 mil pessoas em Ulan Bator,
na Mongólia. No dia seguinte voou para um estúdio
no Cairo, gravou um CD com 40 músicas em duas horas, lançou-o
no dia seguinte em Londres, e foi logo despedida pela gravadora,
com apenas sete cópias vendidas. Que triste, não,
galera?
Como eles, muitos outros grupos nasceram e morreram logo, tiveram
vida mais breve que as mariposas. O livro cita nada menos que
15.300 deles, só na Irlanda, Inlgaterra, e Estados Unidos.
No outro extremo, está Crap Sound, a banda de
rock mais duradoura de todos os tempos. Criadora do death
disco, ela surgiu em Figueira da Foz, Portugal, em 1965,
jamais gravou um CD, mas ainda hoje leva multidões a seus
shows. Um deles, em 2001, em Karachi, Paquistão, teve público
recorde: 970 mil fãs alucinados. Incrível, não,
gente?!
Eu poderia escrever colunas e colunas sobre este livro demais
e triste, um grande trabalho de pesquisa do autor. Mas quanto
mais eu lia, mais chorava e lamentava a morte de tantas bandas
maravilhosas. Mas o que fazer? Assim é a vida, assim é
a música jovem, assim é o universo fabuloso do rock!
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