|
No
começo do mês passado tive a honra de hospedar em
minha casa um velho amigo e um dos grandes cineastas da atualidade,
o panamenho Gonzalo Zopenco. Para aqueles que só conhecem
o cinema entorpecedor e imbecilizante de Hollywood, informo que
Zopenco dirigiu duas obras definitivas na história do cinema:
“Lo Basurero Desventurado” e “Lo Cuerno Canoso”.
O crítico francês de vanguarda Gaspard Cresson considera
essas duas obras de exceção como “ápices
do cinema social latino-americano”.
Por uma curiosa coincidência, recebi na mesma ocasião
a visita de outro querido amigo, Luiz Eduardo Famelga. Como se
não bastasse ser ele cineasta, e bastante talentoso, decidiu
abraçar outra profissão, com a qual não tenho
a menor simpatia: a política.Famelga mostrou-se bastante
ambicioso e decidiu sair logo para deputado federal. Um salto
grande sem dúvida.
Então, durante um animado jantar em minha casa, Zopenco
ofereceu seus serviços de cineasta ao meu amigo candidato,
que topou na hora, claro. O resultado foi um filme promocional
da candidatura do meu amigo. São apenas 48 segundos, que
foram vinculados poucas vezes na televisão, durante o horário
eleitoral.
O que posso afirmar é que, se já não houvesse
prometido meu voto ao meu querido amigo, mudaria qualquer outra
escolha na hora, tal a beleza, a força e o impacto que
o filme sobre Famelga me causou.
Vou mais longe: com menos de um minuto de duração,
o filme de Zopenco é uma pequena obra-prima, que não
hesitaria em comparar a grandes marcos do cinema político,
tais como “Buisson”(Paul-Marie Boulette) e “Aringa
Bianca”(Gianello Oca), para citar apenas os mais conhecidos.
Uma quase brincadeira entre amigos transformou-se numa inesperada
e brilhante obra de exceção. Só faltou o
mais importante: o eleitor ter escolhido e votado maciçamente
no meu amigo Luiz Eduardo Famelga. Infelizmente não aconteceu.
Ele teve 13 votos.
|