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A
determinação partiu, no começo do mês
passado, do nosso editor chefe, Castor Jr.: “Os temas das
colunas do mês de outubro têm de ser política,
políticos e eleições”.
Não gosto muito dessas uniformizações, que
tornam tudo igual, mas o homem é o chefe, o que fazer,
a não ser obedecer?
Lembrei-me então de um paciente meu, cujo nome, obviamente
não declinarei, que sonhava com a política e em
ser eleito, se não me engano, deputado federal. Tentara
a eleição várias vezes, mas nunca chegara
lá.
Ele apareceu uma vez no meu consultório e confessou na
terceira sessão que o apelido que lhe deram, “Segundo
Turno”, o deixava constrangido e magoado, pois era sinal
de que nunca avançava além da segunda chance.
Mas
esse não constituía o problema central de sua personalidade:
era a mãe. Pelo que me contou, era mulher de forte personalidade,
que exercia implacável domínio sobre ele, filho
único, que cresceu praticamente anulado em quase todas
as empreitadas a que se propunha. Ainda assim, ele tinha paixão
pela mãe.
Um caso clássico do velho complexo de Édipo, o talvez
mais fascinante personagem da mitologia grega: apaixonado pela
mãe, temendo a concorrência do pai, matou-o para
desfrutar sozinho o amor dela.
Apresso-me em revelar ao fiel leitor que meu paciente não
matou o pai, que faleceu quando ele era adolescente. Mas a partir
de então, a paixão entre filho e mãe ficou
mais forte ainda. Minha surpresa veio avassaladora quando, por
acaso, perguntei o nome da mãe.
Jocasta, ele respondeu.
Cristo!, pensei, que coincidência. Jocasta era o nome da
mãe de Édipo!
Não, não, ele não se chamava Édipo.
Mas não vou aborrecer o leitor com mais detalhes, mesmo
porque meu espaço aqui já acabou. Só falta
completar a surpresa final: consegui convencê-lo a deixar
de lado a política, para o qual não tinha vocação
nem talento. Anteontem recebi um telefonema dele, contando-me,
feliz, que a mãe, Jocasta, se candidatou à assembléia
estadual. E foi eleita! |