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Billy
Lima, criador e coordenador desta coluna, é
cantor, compositor, escritor, cineasta, poeta repentista e conhece
como poucos os bastidores do show business nacional e internacional.
Ele apresenta hoje o depoimento do bancário Luis
Inácio Luila Serra, de Pato Branco, PR.
Um
candidato a senador veio até aqui em Pato Branco a semana
passada e minha namorada, que já trabalhou para ele, me
arrastou para o comício. Tinha muita gente e nós
dois conseguimos um lugar no palanque e bem atrás do candidato.
Depois que eu assisti o noticiário na televisão
vi que eu aparecia muito bem, e minha mãe e meus amigos
fizeram depois uma festa danada, dizendo que eu tinha ficado famoso.
Pode ser que eu fiquei famoso como eles contaram, mas só
eu sei o que sofri e até agora estou com a cara bem inchada
por causa daquele comício. Eu vou contar o que aconteceu.
Uma porção de político aqui da cidade deitou
a falar sobre isso e aquilo, aquela conversa fiada de sempre,
e todo mundo caladão, até parecia que estavam gostando
daquelas bobagens. Falou um monte de gente no comício,
até meu amigo Dorinho, dono do bar e padaria onde a turma
da cidade se reúne. E eu bem atrás do homem,fazendo
cara que estava prestando atenção. Estava nada.
Então apareceu o candidato a senador e deitou falação.
Mal tinha passado um minuto quando a turma lá embaixo começou
a jogar coisa no palanque. Tomate, batata, ovo e sei mais o que.
O candidato se abaixou e tratou de fugir engatinhando do palanque.Mas
eu não tive sorte nenhuma, pois levei uma batata e um ovo
bem no meio da cara.Doeu pra burro. Minha namorada foi mais esperta
e se abaixou também e não acertaram nada nela. Mas
eu fiquei com a cara e o olho bem inchado uns quatro dias. Depois
que tudo passou, a namorada, minha mãe e os amigos não
pararam de me gozar e disseram que eu apareci mais que o senador
na televisão. Posso ter ficado famoso mas em palanque eu
não subo mais, nem morto.
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