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Todos
nós sabemos que uma das missões do progresso é
oferecer suas conquistas para todos, tornando-as cada vez mais
baratas e acessíveis. O terreno do entretenimento é
um dos mais importantes da missão.Mas o lado bom anda lado
a lado com o mau.
Essa divagação vem a propósito do e-mail
que recebi do leitor Etevaldo Sanfelippo Siqueira, residente em
Petrópolis, que melhor do que eu revela tudo isso que falei.
Eis
o texto:
“Prezado
Tadeu Siber. Eu, minha mulher e dois filhos tínhamos um
sonho há vários meses: adquirir um home theater.
Sou gerente de telemarketing numa empresa, minha mulher é
balconista de farmácia, e vamos tocando a vida, apesar
do orçamento apertado. O mais entusiasmado com o tal ”sistema
de som do século 22”, como anunciou a propaganda,
era o meu filho de 18 anos, que está fazendo um curso de
eletrotécnico e sabe tudo de som.
Pois bem, economizamos durante meses e finalmente conseguimos
realizar o sonho. Compramos o tal home theater, fizemos
um teste antes com o vendedor e o som encheu toda a loja. Maravilha
mesmo!
Os problemas começaram logo que instalamos o aparelho em
casa. Meu filho, todo feliz, botou o som alto demais e o vizinho
de cima começou a socar o chão. Ele baixou o volume,
mas não adiantou. O vizinho do lado deu um grito de raiva,
dizendo que era muito barulho. No dia seguinte foi o vizinho de
baixo, que reclamou com o zelador.
Eu moro num conjunto habitacional na zona oeste aqui de São
Paulo e as paredes parecem de papelão, de tão finas.
Não adianta diminuir o volume, pode ser baixinho que tem
sempre um vizinho reclamando e um deles chegou até a dar
queixa na polícia.
Meu filho curte suas músicas barulhentas com o fone de
ouvido, mas fica difícil pra mim e pra minha mulher, que
temos nossos sons prediletos e só conseguimos ouvir tudo
bem baixinho.Mas aí não dá para curtir um
aparelho de som tão poderoso e que custou tanto dinheiro.
Eu estou encarando tudo numa boa, mas de vez em quando brinco
com meu filho que só temos duas saídas: vender o
home theater ou comprar uma casa melhor. Que situação,
não é, Tadeu?”
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