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Nestes
tempos incertos e violentos, quando ir até a porta de casa
já é um perigo, as pessoas finas da nossa melhor
sociedade encontraram a saída salvadora. Melhor dizendo,
a entrada (sorry pela piada). Sabem o que é, geente?
Ficar em casa. Mas não inativas, sem nada fazer ou produzir.
No sir! Como são representantes das nossas melhores
e mais detonantes famílias, elas decidiram agitar, congregar,
reunir-se.
Após aquela semana fatídica, em que a violência
e o banditismo tomaram conta de nossas ruas, ameaçando
até mesmo nossos próprios lares, nada menos que
14 festas, recepções, comemorações
e garden parties aconteceram em vários bairros
elegante da cidade.
Não pude comparecer a todas, naturalmente, mas desdobrei-me
e consegui marcar presença em oito delas. Geente, como
a nossa sociedade está plugada, com total focus nos nossos
terríveis problemas sociais. O que acontece nesses encontros,
o que se fala, o que se discute, os boatos, informações
de bastidor, as queixas, os temores, as sugestões e soluções,
tudo isso formará a espinha dorsal,a filosofia básica
desta minha coluna.
Procurarei também mostrar que na nossa mais refinada high
society não existem apenas futilidades; acontecem
também coisas importantes, relevantes e de interesse de
todos os brasileiros. Dessa maneira, tentarei abordar o lado positivo
dessa exclusiva camada social, que é também a minha,
e botar por terra uma velha idéia, por sinal de um tio
meu já falecido, comunista suburbano, carcomido e preconceituoso,
que dizia: “Na sociedade, a honra cambaleia”.
Geente, até a próxima!
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