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Os
leitores e leitoras que me perdoem, mas se sair mesmo aquela coisa
feia no título da minha coluna, e os diretores do Sacolão
permitirem, a culpa não é minha. Quem botou na minha
cabeça foi a querida neta Tatiana. Ela anda lendo tudo
o que escrevo, o que é uma doçura, mas como é
enxerida. Dá palpite sem parar, quer mudar o que não
gostou, enfim, é um sa..., olha só, quase escrevi
a tal palavra outra vez.
Não gosto muito desses termos modernos que a garotada usa
e alguns acho até mesmo palavrões que podem ofender
as pessoas. Quando falo isso, a Tatiana dá uma risada e
diz “Ah, vovó, você é mais careta do
que eu queria. Mas eu gosto assim mesmo” Não é
um doce ela?
Eu gostaria de voltar um pouco no tempo...pra dizer a verdade,
voltar bastante, quando eu era uma jovem recém-casada,
lá pelos meus 32 anos, e fui assistir um filme com a minha
sogra, acho que era francês, mas o nome nunca mais esqueci.
Era “Amantes e Esposas” A história bem forte
e os diálogos mais ainda.
Minha sogra, Dona Divina, era senhora de sólida moral católica,
muito rígida, aquele tipo de pessoa que chamam com irreverência
de “carola”. Só de curiosidade, perguntei à
Tatiana se ela e sua turma sabiam o que era “carola”.
Ela fez cara de quem não sabia e depois que eu expliquei
ela “traduziu”, e explicou: “Ah, vó,
é uma nerd”. Preferi deixar como estava
e não ir pra frente.
Mas voltando ao filme, lá pelas tantas, tinha uma cena
quando a moça fica zangada com o namorado e solta um sonoro
“Merde”, em francês. Dona Divina, que
era professora e conhecia bem o idioma de Voltaire, levantou-se
de repente, pegou no meu braço e disse: “Vamos já
embora daqui!”
Nem discuti e no bonde até em casa ela foi se queixando
desses filmes modernos indecentes que usam palavras ofensivas,
de baixo calão.Conhecendo minha sogra com conhecia, decidi
não discutir e fui concordando com a cabeça.
Nunca mais esqueci o caso, e por isso até hoje tenho lá
meus preconceitos contra palavras que eu chamo “forte demais”.
Mas quando a Tatiana xeretou no que eu estava escrevendo nesta
coluna, sugeriu que eu usasse a palavra que está lá
no alto no título, nem pensei duas vezes. Foi uma boa sugestão
para definir este nosso pobre país. Mas os meus leitores
e leitoras que me perdoem,acho que melhor ainda para mostrar o
que está acontecendo é usar o exemplo do tal filme
francês e desabafar. “Este país está
mesmo é uma 'merde'”.
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