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Estive
no Rio a semana passada, participando do Congresso Nacional de
Terapeutas Sexuais e Afins, e fiquei impressionada com a hospitalidade
dos cariocas, que me receberam com toda a fidalguia. Que me perdoem
a imodéstia, mas não podia imaginar que eu era tão
conhecida naquelas paragens. Meu ego nunca esteve tão alto,
se querem saber. Mas isso é coisa pessoal, não interessa
muito às minhas pacientes leitoras.
Quanto ao congresso, há muito não via tanta organização,
tantos temas palpitantes e de intenso interesse dos participantes.
Nem parecia Brasil.Vejam só alguns dos assuntos, que provocaram
acirrados e inteligentes debates: A Vida Sexual Após os
80; Meu Parceiro Me Ignora; Devo Contar em Casa Que Sou Gay? Ou
Que Sou Lésbica? ; O Que o Amor Tem a Ver com Sexo?; A
Iniciação Sexual dos Jovens com as Domésticas
em Pleno Lar Ainda Existe?;Devo Levar Meu Filho a um Bordel? O
Difícil Triângulo Marido, Mulher e Amante; Quando
as Cunhadas São a Grande Ameaça ao Casamento, e
os Cunhados Também; Errei Sim, Manchei Meu Nome, Mas Hei
de Limpar.
Como vocês podem ver, temas palpitantes, originais e que
inflamaram o público que lotava o Auditório Paulo
de Sade, num lindo recanto praiano da Barra da Tijuca. Mas a principal
atração, o debate maior, e devo dizer, a grande
surpresa do congresso ainda estava por vir. E caiu como uma bomba,
pelo menos na minha cabeça.
De repente, a organizadora do evento, Dra. Cibele Beauregard Safo,
surge no palco e anuncia o tema de encerramento: Vamos Fazer Com
os Políticos o Que Estão Fazendo Com a Gente. Houve
um início de tumulto, todos querendo falar, debater, xingar
e oferecer sugestões, a maioria, impublicáveis.
A intervenção serena e firme da Dra. Safo conseguiu
impor ordem na casa. Mas não impediu que muitos dos debatedores
dissessem com todas as letras, alto e bom som, o que fariam com
os políticos.
Gente, já ouvi muita coisa nesta minha profissão
de terapeuta, mas não tinha idéia que os políticos
despertassem tanta antipatia, tanta ira e tanta violência,
sexual ou não, por parte da população. Ainda
bem (ou será, uma pena) que, além da cadeia, a única
arma contra eles é o voto.
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