Diretora brasileira
vai fazer o Brokeback Mountain feminino

Por Nirvana Blue
do caderno Mulher Livre

Assim que saiu da sessão, onde assistiu ao filme “Brokeback Mountain”, a atriz e diretora Dyke Adams só pensava numa coisa, fazer uma versão do premiado filme americano, mas com uma mudança: em vez de homens, os papéis centrais serão defendidos por mulheres.

Apesar do nome, Dyke, uma bela morena de 34 anos, é brasileira, nascida nos arredores de Petrópolis, e dirigiu seu primeiro filme aos 20 anos. Chamou-se “Meus Amores Sem Fronteiras”, que segundo ela abordava uma paixão proibida entre três vizinhas, e “era muito ruim, a ponto de eu queimar a única cópia”. Ela conta que era jovem, ambiciosa e inexperiente, com a cabeça cheia de livros e teses daqueles complicados e aborrecidos teóricos franceses de cinema, e o resultado foi um desastre.

“Minhas amigas acharam meu filme uma droga”, revela Dyke. “Mas não desisti. Fui fazer um curso de cinema na Califórnia e cheguei a ser segunda diretora assistente de Forbidden Sex Beyond the Rainbow (Sexo Proibido Além do Arco-Íris), estrelado pela belíssima e muito sexy Mary Lou Felching, de quem me tornei grande amiga. Foi ela que me ajudou a ser diretora de verdade. Em Los Angeles, dirigi cinco filmes experimentais, um deles, Mulheres Muito Apaixonadas (Women Very Much in Love), uma versão moderna do livro de D.H.Lawrence,ficou em cartaz durante várias semanas no Female Underground Sex Festival, em San Francisco”.

Após cinco anos, Dyke rompeu de “forma traumática”, como define, a amizade com Mary Lou e voltou para o Brasil, onde dirigiu vários filmes curtos, a maioria de temática sexual e liberação feminina.

A amiga Cidinha

O background cinematográfico nos Estados Unidos e a experiência brasileira lhe deram confiança e ela passou também a escrever roteiros e revela que já tem nada menos que cinco histórias prontas para a tela.

Dyke faz cara séria, segura forte a mão da repórter e diz: “Pode parecer invenção minha,meu bem, mas cinco anos atrás escrevi uma história muito semelhante à do Brokeback Mountain. É que eu nasci numa fazenda perto de Petrópolis e o meu pai era apaixonado por cavalos. Nós tínhamos mais de 30, cada um mais bonito que o outro. O meu predileto era um alazão, que eu chamava de Ruivinho. Uma tarde, quando eu tinha 22 anos, sai pelo bosque, o cavalo tropeçou, eu caí e machuquei a perna. Mal podia andar e fiquei assustada lá sozinha. Foi aí que surgiu do nada uma vizinha nossa, a Cidinha, menina linda e muito sexy, de 18 anos, olhos verdes e cabelos cor de mel, que também gostava de cavalos, me socorreu e me levou na garupa até em casa”.

Produção de luxo

Dyke conta que o episódio teve muitos e doces desdobramentos, que pretende aproveitar num outro filme, ainda mais ousado. E serviu também de inspiração para o roteiro que escreveu. “É essa história sobre a minha amiga, com alguns acréscimos dramáticos, que eu vou levar para a tela.As filmagens devem começar mês que vem, em Petrópolis, Araruama e Juiz de Fora. A Cidinha, que se tornou minha mais querida amiga, e eu, somos as atrizes principais. Mas o elenco vai ter gente famosa do teatro e televisão e a produção será de luxo, digna de Hollywood”, ela garante. E adianta em primeira mão um dos prováveis títulos do filme: “A Montanha dos Nossos Amores Proibidos”.