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Nem
cheguei a dar um amasso em Mary Ann, minha santa esposa, como
se diz no Brasil, e já peguei o avião de volta,
face ao novo escândalo no governo do Sr. Lula.
Não tivesse eu que pagar três lugares no avião,
pelos seus 120 quilos mal distribuídos, a traria para cá.
Somos um casal, certamente, mas eu vivo praticamente com três
pessoas. Nas refeições, Mary Ann come por duas.
Em hotéis, uma cama extra de casal deverá certamente
ser providenciada.
Então, que ela fique lá em Porkville, Iowa, e me
deixe, daqui, a enviar os artigos que escrevo como brasilianista
e que nenhum leitor considera como verdadeiro, os tendo como mais
uma coluna de humor do Weekly News descrevendo as inacreditáveis
peripécias de um governo trapalhão.
A começar, como eu poderia explicar o que é um caseiro.
Houseman?
Meus leitores certamente entenderiam que seria um sujeito que
permanece em casa enquanto sua santa esposa sai à luta
para trazer o sustento do lar.
Ficariam também confusos com a Mary Jeany Corner, um simples
nome de guerra. Pensariam ser alguém que escapou
de ser convocada para a guerra do Iraque e para aqui veio convocar
moças em esquinas para travar batalhas corpo-a-corpo com
senhores empertigados em uma mansão usada para exceptional
big business e relatar depois tudo para a CIA.
Até hoje não entenderam os meus leitores o que seria
uma caixa-dois.
Um deles, em carta ao jornal, perguntou-me se a box-two
era feita em trançados de junco ou madeira de lei.
Outro, não menos confuso, queria saber se, depois de usada
para fins que ele ainda não havia entendido, poderia ser
levada ao sótão e usada para colocar brinquedos
velhos das crianças que já estavam cursando a universidade.
Por mais claros que sejam meus artigos, acham que o Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva é cego. E olhem que ainda
não escrevi que ele governa sem um dos dedos da mão.
Como eu poderia fazer-me entender para explicar que quebraram
o sigilo do caseiro achando que ele estava sendo pago pela oposição
para dizer que viu ministro de Estado a trocar favores com empreiteiras
e moças agenciadas por Mary Jeany Corner?
Como poderia traduzir quebra de sigilo – crime federal dos
mais graves – por verificação atípica
e involuntária de saldos?
“Por que, ao invés de escrever sandices, não
leva a tal de Mary Jane e toda a sua troupe para distrair nossos
soldados no Iraque, como fazia o nosso bom Bob Hope em guerras
passadas?”
Certamente essa seria uma das cartas de leitores enfurecidos.
*
Stan Oliver Laurel, às
vésperas de completar 12 anos como brasilianista, em seus
55 anos como jornalista e escritor, afirma que, em todo esse tempo,
já viu e escreveu de tudo. Mas que o Brasil é demais,
vai muito além da credibilidade e da mais louca ficção.
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