Operação tapa-buracos.
Buracos de quem?

“Honi soit qui mal y pense”, maldito seja quem mal pensar.

Já tirei muito a bunda do assento para, com essas mãos, cuja finalidade era apenas martelar teclas de minha Smith-Corona 1956, tirar a kombi verde abacate da Associação dos Brasilianista caída em buracos de estradas, onde lá já estavam outros carros de reportagens.
Ninguém me tira da cabeça que esses buracos sempre foram propositais, para evitar a chegada da imprensa em locais escusos onde companheiros estavam a tapar outros, quais sejam os de suas contas bancárias particulares.

Assim é que ninguém mais soube do brasilianista búlgaro, abduzido em um desses buracos negros, como que sugado por uma estrela anã, como se apresenta hoje o símbolo do partido do presidente.Mas não menos poderosa em fazer sumir e negar o óbvio, como o sol quente do Planalto.

Kenneth Goodson, o brasilianista inglês, já passou poucas, porém boas em buraco de estrada federal nordestina, não morrendo de sede graças à sua garrafinha de inox sempre cheia de gim.

Como que por acaso o Presidente, em uma de suas viagens aéreas que o levam freqüentemente ao exterior, notou as crateras.

Estava já redigindo um e-mail para a Polícia Federal, elogiando o bom trabalho em pistas clandestinas dinamitadas para evitar o tráfico de drogas, quando o piloto avisou que aquilo era uma estrada federal. E voavam bem alto.

Sabe-se, também, que o recém-eleito presidente da Bolívia, ficou noites sem dormir pensado ser as crateras brasileiras um trabalho de prospecção em busca de gás, extinguindo uma boa fonte de divisas para seu país.

“Vamos tapá-los a toque de caixa-dois”, ordenou o presidente.

Foi como que uma injeção de adrenalina em empreiteiras ressabiadas com todos esses escândalos de malas pretas.

“Passado é passado e precisamos escoar nossas riquezas”, bradaram uns em uníssono.

“Que nossos grãos cheguem mais rápido aos portos”, disseram outros, num átimo de patriotismo onde todos se unem em torno do interesse comum. Deles.

“O fato disso acontecer em ano eleitoral foi mera coincidência”, bradou o Presidente frente às críticas.

Se nunca andou de automóvel – usando o helicóptero até para ir do Palácio do Planalto até a Granja do Torto – como poderia saber?

“Não sabia de nada”, disse ele em entrevistas coletivas.

Ministros, assessores da Presidência e companheiros do partido evitam lhe contar coisas com receio de agravamento de sua bursite.

“Temos de ter nosso presidente inteiro para situações mais graves e viagens de visitas ao Chávez”, retrucaram.

E, coincidência ou não, a publicação de um meu artigo no Weeky News ,de Iowa, sobre a operação tapa-buracos no Brasil, fez vir para cá uma equipe da CIA.

Acharam ser possível um bom lugar para estar o Bin Laden, instalado com todo o conforto.


* Stan Oliver Laurel usa com freqüência em seus textos em inglês a expressão popular “hole in the head” (buraco na cabeça), como em “preciso tanto de um ataque de nervos como de um buraco na cabeça”. Ele a empregou recentemente em sua última visita, dizendo “Preciso tanto morar no Brasil como de um buraco na cabeça”.