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Nossas
colegas de trabalho cariocas que me perdoem, mas nós saímos
na frente em 2004, quando eu e 14 meninas criamos a Dasmu, que
infelizmente só durou nove meses, o tempo de um parto,
vale notar. O nome queria dizer DasMulheres e era uma associação
que reuniu 70 prostitutas aqui de São Paulo e tinha boa
intenção, proteger nossa profissão, fazer
reivindicações trabalhistas e lutar contra os preconceitos.
Uma pena que não foi pra frente.
Então eu quero aproveitar minha coluna para dar os parabéns
às nossas colegas do Rio, que criaram a Daspu, com os mesmos
objetivos da nossa idéia pioneira, e desejar a elas muitos
anos de vida e de realizações. Elas vão precisar
de toda a força, mas estou achando que não vai ser
muito fácil.
Já de cara a Daspu começa a sofrer ataques da tal
loja de milionários, que todo mundo sabe não pode
jogar pedra no telhado de ninguém, pois mesmo que o seu
telhado seja de cristal, quebra como qualquer
um, talvez até mais depressa, é ou não é,
minha gente?
Uma vantagem que a nossa Dasmu não teve a Daspu já
tem, que é a simpatia do povo e também dos jornais.
Um deles aqui de São Paulo deu uma página inteira
sobre as coleguinhas cariocas, mostrando o que estão fazendo
e o que querem para o futuro. Foi muito simpático.
Não quero parecer meio ressentida, mas se a nossa Dasmu
tivesse dois anos atrás o mesmo apoio e simpatia que a
Daspu tem agora, a gente hoje estaria ao lado dela brigando pela
nossa causa e pelas nossas colegas de trabalho. Mas o que importa
é dar força às meninas cariocas. Pra frente,
Daspu!
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