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Dissidentes
denunciam
perseguição e corrupção
no partido de trabalhadores
Por Valério Marcos Paulossi
Repórter policial e político
Três
dos mais destacados membros do Partido dos Trabalhadores do Brasil
(PT do B) anunciaram ontem que pediram demissão em caráter
irrevogável. O motivo: censura rígida que os impediu
de fazer qualquer declaração pública, provas
irrefutáveis de corrupção na cúpula
e comprovação de que a eleição do
presidente do partido, Luiz Dirceu da Silva, teve ajuda financeira
não declarada de cinco bicheiros, que doaram cerca de 27
mil reais para a campanha.
Ontem, durante coletiva à imprensa, os demissionários,
os deputados federais Danúbio Soares, Idealina Selvatica
e Ricardo Berzanini mostraram seu descontentamento num original
e inesperado protesto contra a censura do partido, posando para
os fotógrafos e imitando a célebre cena do não
ouvir, não ver e não falar: Danúbio tapou
os ouvidos, Idealina os olhos e Berzanini, a boca.
Bahamas
e bicheiro
A
cena causou surpresa e também aplausos e gargalhadas de
fotógrafos, repórteres e partidários dos
três deputados. Após a brincadeira, Berzanini, o
primeiro a falar, disse que durante muito tempo agüentou
em silêncio as provas cada vez mais gritantes de que algo
ia mal na cúpula partidária.
“As viagens ao exterior eram freqüentes, sob qualquer
motivo, e não raro Dirceu da Silva, além da família,
levava uma grande comitiva de amigos nas viagens, que custaram,
somente no primeiro semestre, cerca de 780 mil reais”, afirmou
Berzanini.
“Numa só visita às Bahamas, alegando que a
viagem era necessária para o incremento turístico
brasileiro, ele levou 35 pessoas, entre elas, o bicheiro Valério
Mingim, mais conhecido na Favela do Bicho Preto como Minguinho
da Erva”, disse o deputado.
Idealina Selvatica, a segunda a falar, surpreendeu a todos, com
sua discrição, ponderação e equilíbrio
nas acusações, ela que se tornou famosa pela agressividade
e, não raro, pelos ataques furiosos contra os opositores
do seu partido. A surpresa maior, porém, ficou com a brevidade
de sua fala, ao contrário de seus longos discursos anteriores:
“Defendi essa gente com entusiasmo, agora, acabou. Não
são pessoas sérias, não merecem mais minha
confiança”. E foi só.
“Pergunte
ao Dirceu”
Danúbio
Soares, visivelmente nervoso e irritado, confessou que, como tesoureiro
do partido, tentou de tudo para impedir o sangramento dos cofres
da agremiação, mas sem sucesso. Revelou que eram
freqüentes os saques pessoais dos membros da cúpula,
as viagens de recreio e pagamentos suspeitos e anônimos
a diversos deputados de outros partidos, com o objetivo de suborná-los
para facilitar votações e “outras falcatruas”,
como definiu.
A coletiva foi encerrada com certo tumulto porque os repórteres
faziam perguntas ao mesmo tempo, os fotógrafos e cinegrafistas
invadiram o local reservado aos deputados e Danúbio interrompeu
abruptamente sua declaração quando este repórter
levantou dúvidas sobre sua atuação como tesoureiro
do partido e perguntou: “E o dinheiro que veio de fora,
para onde foi?”
“Pergunte ao Dirceu da Silva”, foi a resposta.
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