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A
crise política brasileira, iniciada meses atrás
com as denúncias sobre o “mensalão”,
recuperou o humor suíço, desaparecido da mídia
e do cotidiano das pessoas, há tempos. As más línguas
daqui exageram ao garantir que os helvéticos jamais tiveram
o menor senso de humor.
Com ou sem ele, o certo é que desde que começou
esse “imbróglio” todo aí no Brasil,
não param de surgir sites e blogs na internet, alimentados
pelo imaginário popular local sobre o país: um vasto
território cheio de índias e mulatas peladas, jacarés
e, sobretudo, permissividade e impunidade.
Aqui tudo é proibido ou ao menos restrito, mas lá
tudo é permitido”, disse-me um amigo, alto funcionário
de uma multinacional, que não vê a hora de se aposentar
para ir gozar as delícias do paraíso terrestre,
localizado, segundo crê, em Porto Seguro.
Seu principal problema é que, antes da merecida aposentadoria,
terá de livrar-se de dona Herta, sua mulher, uma robusta
“Valquíria” wagneriana, pesando unas 120 quilos,
que detesta Porto Seguro, a Bahia e o Brasil. Ela sonha, tal como
fez Chaplin, passar a velhice num chalé, nos Alpes suíços.
Nada mais civilizado!
Não é só na internet que a crise brasileira
excita o humor local. No parque de diversões de Zurique,
por exemplo, a atração mais popular é uma
brincadeira chamada tiro ao sapo. Mais ou menos como o tradicional
tiro ao alvo.
Por três francos suíços (equivalentes a dez
reais), o atirador tem direito a dar seis tiros num enorme sapo
de plástico, que fica a uma distância de uns cinco
metros do caçador. Para escapar do tiro, o batráquio
salta para o alto, para os lados, ou para baixo, conforme a direção
do disparo.
Quando o atirador está com a cabeça do sapo na alça
de mira da espingarda, eis que, de repente, surgem sagüis,
quatis, pererecas e araras, que pulam para todos os lados, mas
sempre passando por cima da cabeça do sapo, numa miscelânea
de ruídos e onomatopéias.
Obviamente, isso desconcentra o atirador, fazendo com que ele
erre o alvo em todas as tentativas. Terminada a seqüência,
o caçador, decepcionado, leva outro susto, ao ouvir a gargalhada
do sapo. Daí o apelidado dado à brincadeira: o sapo
que ri.
Recentemente, estive em Zurique, na casa de amigos, que me levaram
ao parque de diversões. Ao assistir à contumaz vitória
da caça sobre o caçador, vieram-me à mente
duas lembranças do tempo em que morei em São Paulo.
A primeira é uma passagem, extraída de algum conto
de Guimarães Rosa, na qual o autor de “Sagarana”
diz, a certa altura do relato, que “sapo não pula
por boniteza, porém por precisão”.
A segunda é de um restaurante popular, localizado, se não
me engano, no Largo do Arouche, onde eu costumava, na década
de 70, comer um talharim à bolonhesa, de excelente qualidade,
gastando o equivalente a uns cinco reais, chamado “O Gato
Que Ri”.
O leitor do Sacolão já deve ter
adivinhado os apelidos dados aos bichos que atrapalham a concentração
do candidato a caçador de sapos: Dirceus, Delúbios
e Valérios são os quatis, os sagüis e as araras.
Por sua vez, as pererecas são as viúvas do PT.
É claro que tais apelidos não foram dados por cidadãos
suíços, que, em sua esmagadora maioria, jamais viram
– nem mesmo em zoológicos – animais tão
exóticos.
A
seguir, algumas “pérolas” da internet sobre
a crise brasileira:
De
um banqueiro: “Se eu soubesse que o Lula iria estabilizar
a economia e acabar com o PT, eu já teria votado nele,
em 1989”.
De um matemático: “A contribuição do
PT para a ciência dos números é comparável
à invenção do zero pelos árabes. Nós
conhecíamos a dízima periódica (dividindo-se
dez por três, por exemplo, o resultado é 3,3333...).
Mas eles inventaram o dízimo periódico”.
De um economista, parafraseando Churchill: “Nunca tantos
deram tanto a tão poucos”.
De um filósofo do cotidiano, à moda de Sêneca:
“Pobre PT! Tão jovem e com defeitos tão antigos”.
De Rubião, personagem de Machado de Assis: “Ao vencedor,
o Estado!”.
De um cientista político, à moda italiana: “Não
é difícil governar o Brasil; é inútil”.
De um economista, à moda de Marx e Engels: “Corruptos
de todo o mundo, uni-vos!”.
De um político brasileiro, à moda de Adhemar de
Barros: “Cadê o meu?”.
De um físico, à moda de Arquimedes: “Dêem-me
um Valério e um Delúbio e eu corromperei o mundo”.
De um bêbado, à moda de Jânio Quadros: “Quero
minha parte em cachaça”.
De um operário: “Com essa grana toda, eles poderiam
ter criado os dez milhões de empregos prometidos na campanha”.
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Werner Ghestaldo é jornalista apátrida,
radicado em Lugano, na Suíça. Foi correspondente
em São Paulo de periódicos europeus e é autor
de “Pizzaria Brasil” e “Lavanderia Valério”. |