Minha oferta imperdível
aos colecionadores

Numa das colunas passadas falei sobre um problema que considero bastante sério e que me preocupa e creio que também a milhares e milhares de brasileiros: o que fazer com as fitas de vídeo, na era do dvd e de outras tecnologias que estão surgindo? Guardar e juntar poeira, jogar fora, vender, passar tudo para dvd, que custa uma fortuna?

Ando conversando muito com técnicos, amigos e colecionadores e todos me dão o conselho que parece inevitável: fique com eles, deixe como estão. Um deles me perguntou, sabendo que sou viciado em coisa antiga, o que fiz com meus velhos discos, os cebolões e os lps. Guardei, é claro.

Mas nada disso resolve minha preocupação. Assim por alto, entre todos eles, calculo cerca de 4 mil itens.

Como o problema se resume em dinheiro, e não tenho o bastante para atualizar minha discoteca e minha videoteca, decidi oferecer tudo isso para algum colecionador, que vai financiar e passar o que tenho para as tecnologias modernas e, em troca, fica com uma cópia de cada uma delas.

Acho a troca honesta. Quem se interessa? Para promover minha idéia, eis algumas raridades para dar água na boca de colecionadores:

A discografia completa, em discos novos e muito raros, das duplas caipiras Sá e Ferreira, Faria e Lima, Alcântara e Machado, Farme e Amoedo, Cunha e Gago, Eusébio e Matoso e Dirceu e Delúbio.

Impecáveis cassetes, em perfeito estado, com 146 óperas, italianas, francesas e alemãs e uma absoluta raridade: a versão original da ópera polonesa “Burak”, de Gaston Nudny, que Verdi considerava seu quinto mais talentoso discípulo.

Todos os 103 filmes mudos de Clarence Courge Bleu, teórico predileto de Méliès.

Toda a raríssima coleção em VHS das palestras do filósofo e semiótico francês Henry Christophe Emmerdeur, realizadas na Universidade de Lyon em 1986. Numa das fitas, são ouvidos os gritos do iconoclasta romeno Jan Obraz, protestando contra a longa duração (cerca de 10 horas) da palestra de Emmerdeur.

Os 114 filmes caseiros do cineasta americano Fred F.Sears, que os críticos franceses consideram o legítimo sucessor de Wiliam Witney e até mesmo pode-se igualar, em alguns filmes, a Jules White.

Vamos, minha gente, aguardo as ofertas.