Jornalista garante que máquina de escrever é melhor que computador

Por Carolina Remington
Subeditora de digitação

“A máquina de escrever não vai morrer nunca”. A frase foi dita há 50 anos pelo jornalista e esportista Igor Zanini, ao participar de um anúncio em jornais e revistas da época. O anúncio mostrava um casal admirando uma nova máquina de escrever e teve como modelo o próprio Zanini e a amiga Maria Tereza, com quem se casaria. Hoje, tantos anos depois e com os computadores dominando todo o mundo, Zanini repete, ainda com mais convicção e certeza, que a máquina de escrever não só continua viva, como experimenta um renascimento que surpreende a todos. Ele mostra como exemplo o recorte de uma notícia recente, publicada em jornais e revistas, informando que em vários países a produção de máquinas de escrever continua a pleno vapor, embora, claro, reduzida a níveis mínimos. E mostra outro recorte de dois meses atrás sobre a fabricação da primeira máquina totalmente brasileira com teclas em braile para cegos.

“Quer mais argumento sobre a força da máquina de escrever?”, ele pergunta. “O computador, ao contrário do que dizem, veio para mudar nossa vida para pior. Deus é testemunha que tentei e tentei assumir o computador como meio moderno de escrever, e cheguei mesmo a comprar um. Mas depois de cinco meses e dezenas de problemas, desisti e vendi esta máquina infernal, com bastante prejuízo, é claro. Por isso voltei com alegria à minha fiel máquina de escrever, que está comigo há mais de 30 anos, e cada vez melhor. Que computador dura tanto tempo assim?”, Zanini pergunta como desafio.

Correios e corrupção

Jornalista há 40 anos, esportista e também especialista em culinária italiana, Zanini escreve em sua Olivetti dos anos 60 cerca de dez artigos por semana para diversas publicações.

“No mês passado, por exemplo, escrevi um artigo de 15 laudas para a revista romana “Cipolla Selvatica”, ele conta. “Sabem quanto tempo levei? Apenas oito dias. Se eu fosse fazer o mesmo no computador, levaria no mínimo um mês, isso se ele não travasse, saísse do ar e aquelas coisas todas”.

A repórter tenta argumentar que, se ele houvesse insistido com o computador e conseguisse dominar a “máquina”, levaria no máximo dois dias escrevendo o mesmo artigo. Além de uma vantagem adicional: enviaria o artigo via computador, sem o inconveniente de ter de sair de casa, ir até o correio e mandar o texto para a Itália. Além da demora e até mesmo extravio da correspondência e outros problemas inesperados, entre eles, uma recente greve nacional e a corrupção de funcionários graduados.

“Tolice”, ele afirma. “A greve no correio equivale aos travamentos do computador e a corrupção, bem, os tais vírus de computador também não são corrupção?”