Crise pros políticos,
dinheiro pra nós

No mês passado, num só dia recebi em casa 45 telefonemas e e-mails de Brasília e este mês, mais 70. Normalmente, recebo de 10 a 20 mensagens por mês. Sabem qual foi o assunto desta vez? Arranjar em São Paulo “escort girls” para fazer companhia a deputados e amigos para amenizar as tensões da comissão de inquérito que está botando muitos políticos à beira de um ataque de nervos. Gostaria de dar nomes aos bois, como diz o ditado, mas não sou louca. Primeiro que não estou depondo em nenhuma comissão, e em segundo porque não vou cuspir no prato que me alimenta. Ou melhor, pra ser um pouco cínica, não vou cuspir na cama que nos dá o sustento.

Não foi muito fácil conseguir tantas garotas, pois no total me pediram nada menos que 50 delas, para papos pessoais, recepções e festas, estas últimas em locais bem afastados da capital que é para não cutucar a onça com vara curta, se é que me entendem.

Uma das festas foi num bonito sítio a uns 40 quilômetros de Brasília e o que tinha de deputado e senador conhecidos não está escrito, minha gente. E eles me pareceram muito à vontade, sem qualquer medo de cpi, cassação e outras ameaças.

Mas houve um episódio engraçado na festa toda. Engraçado pra nós, que estamos meio de fora, mas não para os deputados, que estão sendo chamados pra explicar sua conta bancária. Já era de madrugada, a nossa reunião estava pegando fogo, basta dizer que consumiram seis caixas de uísque, um monte de vodca, fogo-paulista, licor de pequi e, pra minha surpresa, muitas caixas de viagra. De droga, nada pesado, só uma maconhazinha aqui e ali. Até que, lá pelas tantas,um gaiato gritou de gozação: “OIha a CPI, ela vai pegar vocês!”
Um deputado que estava do meu lado no sofá, agarradinho com uma das garotas, ficou assustado, deixou o que estava fazendo, se é que me entendem, e saiu em disparada, sem mais nem menos.

De volta para casa, fiquei pensando no avião sobre o episódio, que rendeu pra mim e minhas meninas uma bela nota, mas muito longe do que nossos políticos andam faturando. Essa turma de Brasília pode estar nadando em dinheiro, mas de vez em quando acho que ela sofre também. Imagine se alguém grita de gozação “Olha a polícia!”, será que saem correndo? Pensando bem, é uma vida dura a deles, arriscada e sabe Deus se não vai acabar amanhã, e na cadeia.