Brasileiro ganha
primeiro lugar em
concurso sobre
Sherlock Holmes

Por José Luís Moriarty
Repórter literário

Tiago Almeida Baskervilla, que conhece como poucos a vida e obra do romancista inglês Conan Doyle, criador do detetive Sherlock Holmes, foi o primeiro colocado a semana passada em Londres num concurso internacional sobre seu ídolo e ganhou 5 mil libras de prêmio. Aos 29 anos e verdadeira enciclopédia sobre o escritor, ele derrotou 178 concorrentes de 15 países. Além do dinheiro, Baskervilla ganhou também um diploma e o título de “Master in Doyle and Holmes” (Mestre em Doyle e Holmes), espécie de certificado que faz dele o maior conhecedor mundial do romancista e de seu célebre personagem.

Natural de Petrópolis, na região serrana do Rio, onde em sua mansão tem dois quartos cheios de livros, filmes, discos e lembranças sobre seu tema predileto, ele conta que se apaixonou pela obra de Conan Doyle aos 17 anos, quando ganhou do pai as obras completas de Sherlock Holmes. Começou a pesquisar o assunto, leu todos os volumes mais de dez vezes, participou de vários concursos e disputas internacionais e comprou na Inglaterra e em vários países quase todos os filmes sobre o personagem.

“Talvez o item mais valioso da minha coleção seja o filme mudo “Sherlock Holmes”, feito em 1922 com John Barrymore”, afirma. “Mais de 60 filmes silenciosos foram feitos sobre o assunto e a maioria já se perdeu. Agora, os demais, 156, pelos meus cálculos, eu tenho todos, inclusive os episódios de seriado da TV inglesa e o 14 filmes interpretados nos anos 30 e 40 por Basil Rathbone. Seus filmes eram de baixo orçamento, feitos às pressas, mas ainda são meus prediletos”.

A glória total

Baskervilla conta que a maior emoção que conheceu foi quando visitou em Londres a casa e o museu de Conan Doyle.

“Num dos quartos da mansão, onde Doyle escreveu a maior parte de sua obra, senti um frio na barriga e tive a sensação de que o escritor estava lá me observando. Quem sabe se não era mesmo o próprio Sherlock Holmes”, diz, meio sério, meio brincando.

Usando especialmente para esta entrevista o “uniforme” oficial de Sherlock Holmes, inclusive o cachimbo, que ele comprou na Baker Street, em Londres, Baskervilla levanta uma dúvida (mas, para ele, quase uma certeza): “Estou fazendo há um ano uma pesquisa genealógica na Inglaterra e no mês que vem terei o resultado. Vou provar para o mundo que meu nome é herança do clã Baskerville, que Doyle usou para batizar seu talvez mais famoso romance, ‘O Cão dos Baskerville’. Aí vai ser a glória total”, ele diz.