Sonho na parada gay

Billy Lima, criador e coordenador desta coluna, é cantor, compositor, escritor, cineasta e poeta repentista e conhece como poucos os bastidores do show business nacional e internacional. Ele apresenta hoje o depoimento de Marlon Brando Nogueira, do Rio de Janeiro.

Embora a gente já tenha aqui no Rio uma parada gay respeitável, ela não é tão emocionante e concorrida como a da Avenida Paulista em São Paulo. Desde meus 18 anos sonho em participar dela, mas minha mamãe nunca permitiu, com medo de que algo me acontecesse em cidade tão grande e distante de casa. Coisas de mãe, não acham? Então, este ano, cheguei à maioridade e passei dois meses me preparando para o grande acontecimento.

Há um ano apresento na boate Chez Gay, em Copacabana, o show “Bichos e Bichanos”, um sucesso sempre com a casa lotada. Sou a drag queen Marilyn Hayworth e uso em cena um grande chapéu de plumas e penas que foi realmente usado por Rita Hayworth no filme “Modelos”. Quem trouxe de Hollywood para mim foi o coreógrafo Bruce Robin Wayne,de quem fiquei muito amigo depois que ele viu meu show aqui no Rio e a-d-o-r-o-u!

Eu e Bruce ficamos extasiados com o espetáculo na Avenida Paulista. Tanta gente bonita, tantas fantasias, tanta liberdade, tanta integração, quanta bicha, oh, Deus! Lá pelas tantas, uma repórter de televisão me viu na multidão, gostou da minha fantasia e veio me entrevistar. A confusão e o empurra-empurra eram demais, mas consegui dizer meu nome artístico. Quando ia contar que a roupa pertenceu à estrela famosa de Hollywood e falar do meu show, um grosseirão me empurrou e me jogou ao chão. Felizmente não me machuquei e continuei o desfile abraçado com o Bruce. Foi tudo muito rápido, mas por uns minutos fiquei famoso, ou quase.