Artista plástico é preso
pichando a Prefeitura

Por Nazaré Silveira
Editor de arte primitiva

O artista plástico Gabriel Conde foi preso anteontem quando pichava em pleno meio-dia as paredes da Prefeitura, no centro de São Paulo. Embriagado e violento, ele reagiu à prisão e tentou agredir os policiais, mas foi dominado e algemado e levado para a delegacia, onde passou a gritar que era um artista de fama mundial e quem o prendeu será punido. É a terceira detenção de Conde, que já foi preso pichando obscenidades no muro da casa do deputado Ariel Moura Lima, as paredes de três distrito policiais e a porta de entrada do Banco Central, na Avenida Paulista.

Segundo Rick Almeida, um velho amigo, a saúde mental de Conde, conhecido como Gabriel, o Pichador, começou a se deteriorar três anos atrás, quando foi desclassificado na Maratona Mundial do Grafite, realizada em Bangladesh.Um ano antes, ele havia ganhado o primeiro prêmio de grafiteiro no mesmo certame em Milão.

De acordo com Almeida, o fracasso na maratona causou um profundo e negativo impacto no ego de Conde, que desde então passou a agir estranhamente. “Ele começou a beber e a dizer que era um pichador medíocre e que ia mostrar isso pichando os lugares públicos de São Paulo”.

Segundo o amigo, Conde, de 42 anos, parece não ter suportado a fama repentina, que começou quando tinha apenas 18 anos e ganhou o prêmio da crítica no Festival de Pintura Primitiva em Caruaru, Pernambuco. Dois anos depois, foi escolhido como pintor revelação na Bienal Regional de Teresina, Piauí, entre 140 inscritos.

Então, a prefeitura da capital piauiense patrocinou a ida dele para a Maratona Mundial do Grafite, na Itália. Entre 3.200 grafiteiros de todo o mundo, Conde ganhou o principal prêmio, com uma grande e colorida interpretação da prisão e da liberdade. O amigo Almeida conta que o mural, no centro de Milão, é visitado diariamente por milhares de pessoas ainda hoje.

“Na maratona seguinte ele não conseguiu se classificar, foi demais para ele. Conde voltou amargurado, diferente, dizendo que conseguiu enganar o mundo, pois não passa de um reles pichador de paredes, igual a todos os que vivem sujando a cidade”.

Na delegacia aonde foi levado, ainda com ferimentos causados ao enfrentar os policiais, ele gritou: “Vocês não vão conseguir me deter. Quando eu sair daqui, vou pichar toda a cidade, que já é uma sujeira mesmo”.