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Ele
é um dos mais consagrados escritores da atualidade. Autor
de mais de 150 livros, entre romances, contos, ensaios, poesia
e “sitcoms” para a televisão americana, por
pouco não foi o vencedor do Nobel de Literatura em 1988,
com sua magistral e extensa obra-prima, o romance “Os Limites
da Alma de Jerome Barbillon”, que em seus 14 volumes praticamente
esgotou tudo o que se pode escrever sobre ficção
no século 20.
Pois foi este gigante da literatura, este mago da ficção,
chamado Jean-Louis Beurrier, que em visita ao Brasil no mês
passado, escolheu-me como seu cicerone em cinco cidades brasileiras.
Quanta honra, que glória para mim? Eu o conheci durante
um congresso literário em Bangladesh, em 1991. Ficamos
amigos, mas não o via nem me comunicava com ele desde então.
Daí a minha surpresa.
Fiquei trêmulo de emoção e temeroso de não
corresponder a tanta confiança. Com o ego nas alturas,
aceitei a tarefa.
Creiam, foi uma epopéia, acompanhar um jovem tão
cheio de vida (Beurrier tem apenas 29 anos), e uma mente tão
esfuziante, por suas andanças entre nós. Assim que
o apanhei no aeroporto, foi esta a primeira coisa que me pediu,
no seu francês clássico: “Por favor, não
me apresente a nenhum escritor. Quero aproveitar minha viagem
com coisas úteis e divertidas”.
Foi difícil me livrar de mais de 220 escritores famosos,
jovens e promissores autores, editores,políticos, caçadores
de autógrafos que queriam conhecê-lo. Ele se recusou
até mesmo a ter um encontro com o nosso maior fabricante
de best sellers, Saulo Coelho, que anunciou sua chegada na portaria
do hotel.
“Diga-lhe que fui comer carneiro da Alsácia”,
desculpou-se Beurrier, usando uma expressão popular do
seu país, que significa mais ou menos “Mande-o esfregar
pimenta na bochecha”. Não é exatamente na
bochecha, mas vamos poupar o leitor dos sórdidos detalhes.
Que ironia, que presença de espírito, que finesse
mental desse intelectual francês cujo poderoso cérebro,
cuja cultura ilimitada não são maiores que sua simplicidade
e sua joie de vivre. Que diferença de nossos escritores!
Muitas surpresas nos esperavam em nossas aventuras brasileiras
nos 58 dias em que servi de cicerone para ele. O mais inesperado
e insólito aconteceu, entre todos os locais, em Caratinga,
Minas Gerais. Foi algo espantoso. (continua)
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