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maior parte da correspondência que recebo mensalmente, e
creiam, ela é imensa, tem um só assunto: o amor,
aquele que dá certo e o que dá errado. Em 1972 fiz
um estágio de um ano no jornal “The Daily Crap”,
em Creepville, no Arkansas, como assistente da mais famosa especialista
em assuntos do coração da imprensa dos Estados Unidos,
Alma Lee Nosy. Aprendi com ela tudo o que sei sobre consultório
sentimental no jornalismo. Nunca me esqueci de uma frase que Nosy
disse: “O coração tem razões que a
razão desconhece”. Brilhante, não?
Desde então, tenho pautado minha coluna nessa filosofia
de vida e, acreditem, leitoras e leitores sempre me escrevem agradecendo
meus conselhos, afirmando que, graças a eles, sua vida
sentimental mudou para sempre.
A propósito, quero reproduzir aqui o trecho de um e-mail
que um leitor me enviou tempos atrás, afirmando que o conselho
que lhe dei, na solução de um grave dilema que o
atormentava, transformou em paraíso o inferno em que viveu
durante oito anos.
“Querida Miss Heart, creio que minha vida não tem
mais objetivo por causa de uma dúvida atroz. A quem dar
meu coração. Amo perdidamente o advogado A e também
o jornalista B. Já fiz de tudo, inclusive cheguei a contemplar
o suicídio. Felizmente o A me convenceu a não fazer.
Mas aí, o B, um passional, disse que, se não fosse
o escolhido, ele me mataria.”
O e-mail do leitor, que se assinou “A Quem Me Dar?”,
era longo, explicando em detalhes as razões sentimentais,
filosóficas e monetárias que envolviam cada uma
das decisões. Um desafio à minha experiência.
Confesso que passei semanas pensando no caso, sem que vislumbrasse
em minha mente e em meu coração uma resposta adequada
e justa para meu sofrido leitor.
Foi então que me lembrei das sábias palavras de
Alma Lee Nosy: “O coração tem razões
que a razão desconhece”. E foi isso que recomendei
a ele, acrescentando: “Querido ‘A Quem Me Dar’,
dê a quem seu coração mandar e seja feliz”.
Ele nunca mais me escreveu, por isso creio que seu dilema foi
resolvido. Considerei também a possibilidade dele ter se
matado. Mas creio que não. Então, queridas amigas
e queridos amigos, a conclusão é esta: Ah, o coração!
Quantas respostas e perguntas podem ser encontradas em suas profundezas!
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