Confusão e feridos
na periferia por
causa do Diabo

Por Hermínio Guedes
Repórter policial sênior

Uma briga em família, num bairro da periferia São Paulo, acabou virando um violento confronto que deixou seis feridos, dois em estado grave, e por pouco não teve conseqüência mais séria, pois um dos envolvidos chegou a disparar um revólver no auge da confusão.

Tudo começou com uma discussão de marido e mulher, Sinval Moreira e Natalina, por causa do irmão dela, Clarivaldo, que há dois anos mora de favor num quarto nos fundos da casa, na Rua Sargento Emerenciano Lima, em São Miguel Paulista. A certa altura do bate-boca, Sinval acusou o cunhado de aproveitador que nunca trabalhou, bêbado e violento, “um verdadeiro diabo”.

Clarivaldo, que é bispo da Igreja dos Serviçais do Santo Sepulcro, não gostou de ser chamado de diabo e partiu pra cima de Sinval, que gritou pedindo ajuda ao irmão, Deoclécio. Alto e forte, Deoclécio, especialista em luta – livre e astro no programa de televisão “Show de Músculos”,desferiu violento golpe em Clarivaldo, que caiu desmaiado.

Os gritos de Natalina, ao ver o irmão caído e sangrando, chamaram a atenção do tio dela, Antenor, que se atracou com Deoclécio e foi logo dominado com uma gravata no pescoço que quase o matou. Foi aí que chegou o irmão de Antenor, o vigia noturno Denizar, que dormia num dos quartos da casa e, de revólver em punho, disparou na direção de Deoclécio. A bala atingiu o teto e serviu para dar um susto em todos.

Policial usa força

Ao fim de 45 minutos de briga, chegou ao local uma viatura policial, chamada pelos vizinhos, assustados com os gritos, palavrões, barulho de coisas quebradas e o tiro. No chão, cinco homens, dois deles gravemente feridos, e a mulher com o rosto sangrando. O marido, bastante machucado, gritou, ao ser levado para fora pelos policiais, que sua mulher era uma (palavrão impublicável), mas o verdadeiro diabo era o irmão dela, que de crente não tem nada, “é só para enganar os trouxas”. Por pouco não houve outra confusão violenta.

O soldado PM Olivaldo Garcia, que atendeu o chamado, precisou usar força para evitar que a briga se reiniciasse. Ele afirmou que levou mais de duas horas para fazer o boletim de ocorrência e conseguir juntar as versões de cada um dos envolvidos. Com bom humor, o policial disse: “nunca vi o diabo causar confusão tão grande”.