Pesquisa tenta provar suposta
superioridade do sexo feminino

Em resposta às intempestivas, destemperadas e infelizes recentes declarações do Reitor da Universidade de All Lords (Bufallo, EUA). Prof. Dr. Joseph Pussy Goldsmith, asseverando que “o homem é mais inteligente que a mulher”, a presidente da WWL – Women’s World League (Liga Mundial das Mulheres) escritora, jornalista e publicitária ítalo-americana, Beatrice Bruna Fillipe Giorni (que, pelo pomposo nome não deixa dúvida quanto à sua nobre estirpe e ascendência veneziana) promete divulgar bombástico documento contraditando o que ela considera despautério, estouvamento e sandice da parte do Prof. Pussy. O documento será entregue em cerimônia pública a ser realizada na sede da entidade (Anchorage, Alasca), no próximo dia 8 de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher.

Estupefata com a posição descabida e as atabalhoadas declarações do reitor, Giorni encomendou extensa pesquisa científica em nível mundial para tentar comprovar que a mulher é superior ao homem. Ou, na melhor das hipóteses, equivalente a ele já que a própria presidente admite “tratar-se de assunto polêmico e que encerra múltiplas controvérsias”.

A poucos dias da realização do evento, a combativa líder recebeu-me na sede européia da WWL (Potenza, Itália) para fornecer detalhes da ambiciosa pesquisa iniciada no último dia 6 de fevereiro. Sempre acompanhada do vice-presidente da entidade que dirige e que é, ao mesmo tempo, seu assessor particular, o filósofo Paolo Girolamo Pingolini, Giorni esclareceu que o projeto envolveu a montagem de uma rede mundial de cientistas de alto nível (e nas mais diversas áreas do conhecimento) para a coleta dos dados que sustentam as conclusões preliminares do documento a ser entregue ao Magnífico Reitor Pussy.

Nesse sentido, disse, “montamos equipes multidisciplinares compostas por estatísticos, demógrafos, médicos, antropólogos, economistas e etnólogos, todos da mais alta qualificação profissional”. “Isso – prosseguiu – para assegurar nível de excelência à nossa pesquisa que, certamente, se tornará obra de referência mundial em tudo o que se relacionar às questões de controvérsias sobre o gênero. E como forma de mostrar a isenção da WWL, fizemos absoluta questão de contratar até mesmo cientistas notória e declaradamente machistas”.

Numa atitude de absoluta transparência e lisura acadêmico-científica, a presidente Beatrice Giorni permitiu o acesso do SacolãoBrasil à versão final do documento a ser entregue no próximo dia 8 de março. Permitiu, com isso, furo de reportagem que nos propiciou a primazia de divulgar com ineditismo parte do que está contido no alentado relatório de 473 páginas.

Logo na introdução da obra, o documento menciona os nomes dos coordenadores dos grupos de pesquisas, tanto por área de conhecimento como pelas regiões estudadas. A monografia esclarece que para maior abrangência e significância estatística da pesquisa, dentro de um mesmo país, na maioria das vezes foram consideradas as zonas chamadas modernas e desenvolvidas e outras de estrutura social agrária e atrasada. No caso do Brasil, foram feitos estudos de caso na abastada região paulista de Ribeirão Preto (com renda per capita de US$ 5.000,00 por habitante/ano) e, de outro lado, na zona baiana do Raso da Catarina (US$ 127,69 / hab.-ano). Na Itália, estudadas as populações de Siracusa (na Sicília) e de Firenze, na desenvolvida Toscana. Em Bangladesh, a riquíssima capital Dacca e a paupérrima Rangpur já às faldas do Monte Everest, no Himalaia. E, na Argentina, a evoluída Buenos Aires e o povoado de Pico Helado, nas cercanias de Mendoza.

Como um dos pontos altos da pesquisa figuram os debates travados entre os neurologistas Norbert Towers e Pauline Catillo (ambos franceses) e seus colegas norte-americanos Edson Ricciolli e sua assistente Silvie Greeneyes Sakata. Enquanto os cientistas franceses sustentam que as mulheres têm o mesmo número de neurônios que o homem, os pesquisadores norte-americanos afiançam que “pelo fato de a mulher ser um homem incompleto (e nisso evocam o pensamento aristotélico, segundo o qual a mulher é um homem sem o fálus) o gênero masculino encerra alguns milhões de neurônios a mais que o feminino”. Pesquisadores de projeção internacional, Ricciolli e Sakata mostraram-se cautelosos quanto a eventuais generalizações e reducionismos científicos em afirmar que sempre o homem é superior à mulher.

Relatam até mesmo o caso do paciente E.T., português, 41 anos, cuja contagem de neurônios indicou a existência de apenas dois pares a mais que os cavalos o que, segundo o relatório, “lhe garante a confortável condição de não sair defecando pelas ruas do vilarejo de Cabaços Rubros, onde reside”. Outro exemplo mencionado é o dos “irmãos gêmeos A.B.M. e A.C.M., mongóis, 24 anos, obrigados a permanecer sempre juntos em suas atividades pelo fato de só um deles saber ler e o outro escrever”.

O ponto alto das pesquisas, contudo, é o depoimento do médico ortopedista Dorgivaldo Carnaúba Itacarangibe, que estabeleceu estudo comparativo entre o comportamento da população do Raso da Catarina (BA) e os pacientes que atendia no Bangladesh Basis Hospital (Hospital de Base de Bangladesh). Nos casos relatados pelo Dr. Itacarangibe os mais curiosos e ao mesmo tempo mais insólitos referem-se a D.J., indiano, 27 anos e de W.C., paquistanês, 19 anos, ambos residentes em Dacca e, coincidentemente, cultores dos exercícios propostos na secular obra Kama Sutra (que é, aliás, o primeiro livro de história em quadrinhos da humanidade). Com relação ao primeiro paciente, o Dr. Dorgivaldo registra: “... contumaz na prática do Kama Sutra com sua esposa (B.D., 25 anos, do lar), acabou se contorcendo tanto na busca do prazer que deu um nó em torno do seu próprio corpo, resultando no primeiro inédito caso mundial de auto-sodomização”. Já com relação ao paciente W.C., o médico ortopedista assinalou em sua hermética linguagem médica: “... solteiro, 19 anos, narcisista, tentou a auto-satisfação oral com resultados desastrosos. Romperam-se as ligações da coluna cervical, região lombar nas vértebras 7 a 13 (zona superior das costas), o que lhe conferiu um irreversível gobo (eufemismo usado para indicar formação de corcunda – nota do articulista)”.

Como considerações finais da importante pesquisa aparecem as abalizadas explanações do mais importante antropólogo do início deste século XXI, o Prof. Dr. Renan Kairós, ex-Catedrático da Universidade Rolândia, que relatou o teor do trabalho realizado em conjunto com seu colega franco-argentino, o Prof. Pierre-Marc Jolie Labatut. Em entrevista exclusiva dada aí no Brasil para o SacolãoBrasil ao nosso repórter e correspondente Laibiniz Lavoasiê da Silva, ambos mostraram-se céticos quanto aos resultados do trabalho científico-acadêmico encomendado pela escritora Beatrice Giorni. Ao mesmo tempo consideraram inócua a discussão sobre o dimorfismo (diferença entre o homem e a mulher).

Segundo eles, mais importante que discutir eventuais diferenças é equacionar medidas eficazes e que contemplem a elevação populacional nas regiões desenvolvidas, “onde as diferenças entre o homem e a mulher são efetivamente menores ou menos perceptíveis” e incentivar o controle da natalidade nas regiões mais carentes, “onde o crescimento da população é desordenado e se dá em geral à noite e freqüentemente em redes, se pensarmos em termos do Norte e do Nordeste brasileiros”. Para as regiões subdesenvolvidas, a recomendação de Kairós é a de que “a mulher passe o homem para trás”. Por outro lado, onde o crescimento populacional for recomendável ou conveniente, “é preciso encarar e atacar o negócio pela frente”, concluiu o Prof. Labatut.

Por fim, vale informar que a entrega do documento ao Reitor Pussy ocorrerá após a performance da intelectual Beatrice Giorni – que, além de bonita, charmosa e atraente é também uma notável mezzo-soprano – em concerto a ser conduzido por Paolo Pingolini que, além de filósofo, é considerado um dos grandes regentes de orquestra da música barroca. Para a ocasião e como apoteose do espetáculo foi programada a apresentação da belíssima ária da ópera “Rinaldo”, de George Friederich Händel (1685-1759), intitulada “Lascia ch’io pianga mia cruda sorte” (em tradução livre do italiano: deixe que eu chore a minha triste sina).

O titular desta coluna deseja expressar profunda gratidão ao jornalista Laibinz Lavoasiê da Silva por seu brilhante trabalho de reportagem realizado, como correspondente, aí no Brasil.


* Cornelius Klein, embora de rígida formação calvinista e precursor do movimento antropológico, literário e biológico “Como Manter a Mulher em Seu Devido Lugar”, criado em 1938, em Heidelberg, casou-se cinco vezes e no seu segundo e litigioso divórcio foi alvo de insidiosa campanha do grupo radical feminista australiano “Chop All Dicks”.