O que é que eu faço
com o meu fiel VHS?

Não sei se vocês, fiéis leitores, leram a declaração do presidente de um dos grandes fabricantes internacionais de vídeos e afins, que está abandonando definitivamente a produção de videocassetes? O motivo é que o poderoso DVD tomou conta de tudo no mundo inteiro e nocauteou o velho videocassete para sempre.Quero fazer aqui a defesa dele.Depois de mais de 20 anos vendo filmes neste velho, fiel e confiável aparelho, lamento, mas não vou dar adeus a ele, que me serve tão bem .

Não quero parecer nostálgico, nem contra a tecnologia moderna.Mas vocês, que compraram o tal DVD, já experimentaram parar a coisa, ir comer um sanduiche e voltar ao filme e descobrir que ele leva uma eternidade para começar outra vez? E que tal quando você gostou de uma cena do filme, quer voltar, e a coisa demora um tempão para ir pra trás? E quando você já viu o filme e quer ver outra vez uma cena, e é tudo tão difícil? Os defensores do DVD dizem que é assim mesmo, quando a gente fica diante de uma novidade, uma coisa moderna, e reage contra ela . Será que é mesmo?

E me digam outra coisa. O que vamos fazer com aquelas centenas de videos que a gente gravou ao longo dos anos? E o que dizer do novo DVD, que não grava coisa nenhuma? O tal que grava custa uma fortuna. E, por fim, será que esta nova tecnologia é mesmo tão espetacular como dizem? Só porque cabe muito mais coisa no tal disquinho, e tem alguns extras, mostrando os chatíssimos bastidores das filmagens, com os atores elogiando todo mundo! Essa não, e acredito que como exista muito fã de cinema por aí que pensa como eu. Já comprei meu DVD, pois ninguém é indiferente ao progresso, mas ele ainda tem que me provar muita coisa. Até lá, vou ficar com o meu velho e fiel videocassete e com minhas 1.850 fitas, compradas ou gravadas da TV e de outras mídias.

Pra quem não sabe, entre elas, tenho a muito rara “Vida de Cristo”, do indonésio Unta Biru, em 1914; o show de sapateado (única cópia no mundo !) do cantor e dançarino sueco Dragspel Larm, de 1924, e o espetacular documentário “Tsume Yasuri”, feito em 1931 pelo japonês Kome Suppai. Mas o grande tesouro, invejado por colecionadores do mundo inteiro, são minhas 239 versões da ópera “Sianliha”, obra-prima do finlandês Perhonen Sininen. Quando essas maravilhas chegarão ao DVD? Nunca!!

Quanto aos filmes, pode ser pura nostalgia, mas nos bons tempos do videocassete parece que eles eram muito melhores.Ou será que não passa de birra minha contra o progresso?