Ilustre pesquisador sueco
recebe alta honraria no Brasil

Quem, vinculado ao vasto universo da Farmacologia Homeopática e da Medicina Tropical, no mundo todo, nunca ouviu falar dos originais e relevantes trabalhos desenvolvidos pelo Dr. Poul Mygga Korv nas áreas da ciência e das artes? Pesquisador sueco de inquestionáveis méritos profissionais, é conhecido pelos integrantes da comunidade científica internacional por suas múltiplas áreas de interesse e atuação que, além da ciência, se estendem da culinária à música erudita. Expertise em música barroca holandesa, é consultor de todas as temporadas artísticas do Concert Gebow, de Amsterdam, e membro honorário do conselho curador do Museu de Belas Artes de Bruges, na Bélgica. No segmento da culinária é o conhecido gourmand que introduziu sofisticados pratos nos cardápios de restaurantes do porte do Ritz, em Paris, do Grand Hyatt, em Nova York e do Itambaré, de Maceió. Neles, o especial destaque recai sobre o internacionalmente conhecido “filet de moure cru avec cannele et ail ou tenderloin of raw cod with cinnamon and garlic” (filé de bacalhau cru com canela e alho). Ainda dentro da gastronomia, foi o idealizador do “ram in mud pan” (carneiro na panela de barro, de preparo similar ao do barreado no Paraná; da buchada de bode em Pernambuco, ou da moqueca de peixe do Espírito Santo, todos pratos regionais tradicionais daí do Brasil), de presença obrigatória no menu do refinado restaurante londrino Starland, freqüentado por todos os membros da realeza britânica.

Junto a essas multifacetadas habilidades, mas sobretudo pela excelência de suas pesquisas com insetos tropicais, Korv é tido hoje como o maior entomologista do início deste século XXI. Por seus estudos com a fauna das dípteras (insetos dotados de duas asas) tropicais da Namíbia, na África, e de Sumatra, na Ásia, está prestes a receber o cobiçado prêmio concedido pela International Hahnemann Society, com sede em Berlim, que contempla o melhor trabalho internacional na área da homeopatia.

A poucos dias do seu embarque para o município paranaense de Pato Branco, onde receberá a mais alta homenagem por seus revolucionários trabalhos na área da homeopatia neurológica internacional, o excêntrico, impulsivo e irascível (mas, sempre dotado de fina ironia) cientista sueco concordou em conceder esta entrevista telefônica cujos principais trechos são reproduzidos a seguir:

SacolaoBrasil: Professor, o que o leva ao Brasil?

Mygga Korv: Imagino que seja em reconhecimento aos trabalhos de pesquisa científica que desenvolvi na área neurológica da sonoterapia.

SB: Dr. Paul poderia explicar mais detalhadamente o motivo?

MK: Claro! Terei prazer em responder a sua pergunta. Por dois motivos: sou leitor, aqui na Holanda, da versão inglesa do SacolaoBrasil que, salvo engano, completa quatro anos de existência. Por outro lado, alegra-me falar com um colega acadêmico que não é bem da minha área, mas da Astrofísica e da Física Nuclear, das quais também gosto bastante e admiro muitíssimo.

SB: Mas, por favor, fale-nos da sua ida a Pato Branco?

MK: Bem, Dr. Cornelius, vou para receber o título Doutor Honoris Causa, a ser concedido pela Sociedade de Medicina Homeopática da Universidade Federal de Pato Branco, em solenidade já marcada para o dia 23 de fevereiro próximo. A homenagem será prestada a mim e a minha equipe com discurso a ser proferido pela Magnífica Reitora daquela universidade, Professora Doutora Patrícia Mercedes Maringá, e entrega de medalha e do título Doutor Honoris Causa pela presidente da sociedade, a Dra. Marian Joyce Clarté.

SB: O que motivou o convite para tão honrosa homenagem?

MK: Em primeiro lugar, não creio que a homenagem se deva à cor da minha pele, que é absolutamente clara (disse, gargalhando). Certamente vincula-se às pesquisas que fiz na universidade sueca de Uppsala, onde leciono há 37 anos. Aqui, eu e a minha equipe desenvolvemos uma medicação homeopática de eficácia comprovada no combate à insônia, sem causar nenhum grau de dependência aos seus usuários.

SB: Publicações em revistas internacionais de Medicina e Farmácia falam de suas pesquisas com moscas abundantes em todas as regiões tropicais. Seu trabalho tem relação com os estudos dessas dípteras?

MK: A relação é direta. Meus estudos sempre estiveram relacionados aos insetos que abundam nas regiões tropicais. E, como diz um ditado holandês, “tudo o que abunda não é demais”. Mas, na Dinamarca, nossa nação vizinha e com quem trabalhamos em parceria acadêmica através da Universidade de Copenhague, o mesmo ditado é dito de outra forma: “- Tudo o que abunda não faz falta”. Por isso, minha equipe de pesquisadores trabalha simultaneamente na Namíbia, Madagascar, nas Ilhas Fiji e em Sumatra, capturando todos os insetos que encontram. Durante 13 anos, a equipe de biólogos coletou e estudou os efeitos dos parasitas injetados pela fêmea da mosca tsé-tsé (transmissora da doença do sono). Os primeiros testes foram realizados com a separação e a inoculação dos parasitos em camundongos e cobaias. Constatamos haver grande diferença entre o material colhido das moscas fêmeas de diferentes idades. Algumas induziam mais facilmente ao sono, outras não. Refinamos, então, as pesquisas e verificamos que as fêmeas da tse-tsé que não haviam copulado com insetos machos, do mesmo gênero e espécie, eram as que procurávamos para desenvolver potencialmente uma nova medicação no combate à insônia.

SB: Quanto tempo durou e quanto custou essa etapa das pesquisas?

MK: Teve a duração de cinco anos e custo, em valores equivalentes ao euro de hoje, da ordem de 18 milhões (ou algo equivalente ao preço do avião Airbus recentemente adquirido pelo governo da República do Togo, na África, para servir às viagens oficiais do seu exuberante presidente). Mas, o pesado do investimento foi a criação no próprio centro que dirijo de uma nova modalidade no curso de medicina aqui de Uppsala. Tivemos de implantar a disciplina de Ginecologia e Obstetrícia Entomológica, visando formar especialistas no diagnóstico clínico de insetos virgens. Foi um trabalho longo e oneroso, mas que só teve êxito com a contratação de três professores-visitantes provindos do Exterior: a Dra. Duchesse de Saint-Charles,da Universidade de Toronto, no Canadá, e que cuidou da área da Biologia Molecular e Genômica; a Profa. Lou-Andréas Pino y Cayman, da Universidade de Palo Alto, na Califórnia (EUA), responsável pelos estágios de residência clínica, e a Dra. Kristina Huberscherest, da Alemanha, consultora internacional da área de Entomologia e Ictiologia, sediada na ONU de Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos. Até me sinto na obrigação de dividir o prêmio a ser concedido pela instituição de ensino superior pato-branquense com essas três valorosas cientistas, sem as quais minhas pesquisas não teriam tido sucesso.

SB: Realizadas as duas etapas das pesquisas básicas já mencionadas, como o senhor chegou à medicação homeopática que se afigura como milagrosa?

MK: Na verdade, Dr. Cornelius, a nossa descoberta teve até mesmo um lado acidental. Rotineiramente trazíamos ao nosso laboratório as moscas coletadas, sobretudo na Namíbia e em Sumatra. Comprovado o teste de prenhez negativo para as tse-tsé fêmeas e virgens, procedíamos ao processo de destilação a seco e sob vácuo dos insetos, para a obtenção do princípio ativo que foi por nós patenteado sob o nome “sodium atropin morpheuslate”. Veja bem, caro colega, esse é o nome do sal químico. Mas, como na homeopatia empregamos a nomenclatura oficial e mundial proposta por Hahnemann em seu famoso livro “Organum”, ao ser prescrito por homeopatas e preparado por farmácias de manipulação, o produto será conhecido por “Natrum cinderelatum sp”. E o inusitado da descoberta da eficácia do produto no ser humano aconteceu de maneira puramente casual e inesperada. Estávamos desconfiados de que o vigia noturno que cuidava do nosso laboratório de pesquisas e desenvolvimento tecnológico, um escocês de nome George J. B. Drunkard dormia durante seu turno de trabalho. Como o pai dele já havia trabalhado conosco e, tanto quanto seu filho, apresentava indícios de etilismo, localizamos no armário do funcionário a garrafa de áqua-vita (aguardente nórdica obtida da destilação do trigo e com o elevado teor alcoólico de 54 graus Gay-Lusac) com a qual ele se abastecia durante a noite. Tivemos o cuidado de verter da garrafa 50 ml da bebida alcoólica e substituir pelo “Natrum cinderelatum”, que havíamos acabado de destilar. O resultado foi surpreendente. O vigilante noturno dormiu três dias e três noites consecutivas no interior da guarita que lhe é destinada para permanência, quando não em ronda de trabalho.

SB: Dr. Poul, claro que o funcionário prestou um grande serviço à ciência. Mas, pela negligência deve ter sido despedido, não?

MK: Absolutamente! Foi até premiado. Nós o elegemos presidente da comissão dos provadores de remédios homeopáticos. A duração do mandato é de quatro anos, que se encerrou em dezembro último. Em nova votação, ele foi reeleito e o seu mandato, recém-iniciado, se estenderá até 2008“, concluiu o excêntrico, mas bem-humorado cientista.


* Cornelius Klein, membro-fundador da Sociedade Holandesa de Gourmets Extraordinários, com sede em Haia, confessa detestar pratos com peixes crus. Uma das iguarias de sua predileção é a omelete de enguia ao molho de ostras e azeitonas, que provou pela primeira vez durante uma temporada de pesquisas marítimas na Nova Escócia.