Brasileira casa com
índio americano que
ficou milionário com
seus 10 cassinos

Por Cochise de Almeida
Estagiário de Meio Ambiente

Maristela Moreira Bonetti, uma bela morena de 43 anos, realizou um sonho de muitos anos: ela se casou no último dia 23. Até aí, tudo mais ou menos normal.Acontece que o noivo, Robert Hightree Lotofgold, de 41, além de americano, é índio da tribo Hopi, no estado do Arizona, e milionário, com uma fortuna conseguida com investimentos em jogo. Com outros membros de sua tribo, ele decidiu seguir há dez anos uma tendência cada vez mais comum entre os índios dos Estados Unidos, que passaram a aplicar seus dólares em cassinos e hoje possuem dezenas deles em vários estados, movimentando anualmente cerca de 12 bilhões de dólares.

Natural de Petrópolis, região serrana do Rio, Maristela trabalhava como guia de turismo internacional numa agência paulista e conheceu Lotofgold no ano passado, durante um tour promovido pela sua empresa na região dos decendentes de tradicionais tribos no sudoeste americano. Foi no lugarejo de Tonalea, norte do Arizona, onde ficam as reservas de várias tribos, como os navajos, apaches e os hopi, que tudo acontceu. Durante uma cerimônia de fertilidade, Maristela, que acompanhava um grupo de 50 turistas brasileiros, se assustou quando Robert, vestido com trajes típicos e solenes de sua tribo, se aproximou dela, em meio a 800 pessoas, e lhe deu um colar com pedras e dentes de lobos da montanha.

De início,ela pensou que fosse apenas uma demonstração de hospitalidade, muito comum entre os índios da região. Mas teve um choque quando o intérprete americano lhe disse que a partir daquele momento estava noiva do homem que lhe presenteou com o colar. Ela pensou que fosse brincadeira, horas depois voltou para o hotel e outra surpresa a esperava. O gerente entregou a ela uma chave, Maristela perguntou o que era e foi levada até o pátio, onde estava um carro europeu de grande valor, todo envolvido em plástico, com um grande laço vermelho, como se fosse um presente. Dentro do carro, centenas de rosas brancas e vermelhas. E um cartão, que dizia, em inglês: “Para uma linda mulher, minha futura esposa, o coração apaixonado de Robert Lotofgold”.

Resistência acabou

Em Petrópolis, onde se encontra em visita à família, Maristela conta ao repórter que, passado o espanto do carro (que ela recusou) e do bilhete com a declaração de amor (que não levou a sério), voltou para o Brasil e divertia muito as amigas quando contava o episódio. Até que dois meses depois recebeu um pacote com um valioso colar de diamantes e um cartão com os mesmos dizeres da primeira vez. Só então começou a levar a sério as intenções de Lotofgold. O problema é que nunca o tinha visto na vida, não sabia nada sobre ele e, mulher madura e experiente, não acreditava em paixão tão fulminante assim.

Mas os presentes, cada vez mais valiosos, continuavam chegando, sempre com o mesmo bilhete. Até que, durante uma viagem de turismo a Nova York, ela foi acordada às duas horas da manhã pelo gerente do hotel, que a levou, espantada,até o grande salão. Lá estavam Lotofgold, vestido com trajes típicos, que ela soube depois representavam a solene cerimônia de casamento dos índios Hopi, os principais conselheiros da tribo e os pais dele. Uma grande orquestra tocava “Garota de Ipanema”.

Maristela conta: “Foi demais para mim, desabei na hora. Quem podia resistir a tanta demonstração de paixão?”. Dois meses depois se casaram numa cerimônia típica da tribo Hopi, na mesma cidadezinha de Tonalea, onde tudo começou.Maristela respeitou a tradição local e se vestiu de índia, uma linda indígena. Ela revela que abandonou tudo o que fazia e hoje, ajudada pelos cinco irmãos e os tios, é diretora de operações e de assuntos turísticos dos dez cassinos do marido. “O amor foi mais forte que tudo”, diz, com um grande e enigmático sorriso.