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Minhas
leitoras que me desculpem por algum erro na minha coluna, acontece
que estou redigindo-a ainda sob forte emoção. É
que um primo meu, que eu não via há mais de 30 anos,
reapareceu em minha casa, e bem na véspera do Natal. Imaginem
a comoção que ele provocou! A casa estava cheia
de parentes, amigos e vizinhos, pois apesar de viúva, não
abro mão de festejar a data em grande estilo, como sempre
aconteceu em minha família, desde que eu era uma inocente
e sonhadora adolescente nos longínquos anos 50.
A emoção e os sentimentos estavam à flor
da pele, como é usual nesta época do ano, e tudo
tendo ao fundo na vitrola a linda canção natalina
“Deixei Meu Sapatinho”, interpretada por um dos meus
ídolos, Carlos Galhardo, presente inesquecível do
meu dileto e falecido marido, o Demerval.
Imaginem, portanto, a surpresa quando pela porta da cozinha surge
do nada o primo Basílio, que sumiu da minha vida há
tantos anos. Minha primeira reação foi de espanto,
e só quando o reconheci, comecei a chorar copiosamente
de emoção.Ele sempre foi um homem muito bonito e
ainda hoje, apesar de tantos anos, ainda não é de
se jogar fora. Pelo contrário, continua um pedaço
de mau caminho.
Depois que a surpresa passou e eu o apresentei a todos, ele logo
foi cercado pelas minhas amigas. Uma delas, a Dircinha, que sempre
foi a mais sapeca da nossa turma, não perdeu tempo e começou
a flertar abertamente com o primo Basílio. Confesso que
fiquei com ciúme, que Deus me perdoe, mas não vou
negar, pois fiquei mesmo. De vez em quando, ele me lançava
uns olhares que apesar da minha idade me dava umas coisas esquisitas
lá dentro. Eu, hein!
Ele ficou horas contando sua vida e suas aventuras,que são
muitas, e o mulherio não o deixou em paz,sempre querendo
mais e mais. E ele bebendo umas e outras. Então, lá
pelas tantas, já bastante alegrinho, o primo começou
a revelar histórias indiscretas e bem picantes, uma delas
sobre alguém que eu conheço muito bem... Morri de
medo que ele fosse contar tudo na frente daquela gente toda. Fiquei
gelada, mas felizmente ele piscou o olho para mim e inventou outra
mulher na história. Vocês nem imaginam o sufoco que
eu passei.
Por sorte, o primo foi embora no dia seguinte, pois tinha que
viajar para Porto Alegre. Apesar do susto, vou confessar a vocês
que eu bem que gostaria que ele tivesse ficado mais tempo lá
em casa.
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