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Embora
as pesquisas científicas mundiais em 2004 não tenham
registrado êxito significativo no desenvolvimento de vacina
eficaz contra o vírus da aids, os maiores desenvolvimentos
ocorridos no ano passado relacionam-se às áreas
da medicina humana e veterinária e, também, ao campo
da agricultura.
Na medicina veterinária, o acontecimento mais notável
foi a obtenção da vacina contra o mal da vaca louca
em inédito acontecimento que envolveu cientistas da famosa
Universidade de Edimburgo, na Escócia, centro de referência
internacional em pesquisas com mamíferos de médio
e grande portes. Prova disso é que em meados da última
década cientistas daquela renomada instituição
de ensino e pesquisa obtiveram, por clonagem de células-tronco,
o primeiro animal produzido integralmente sem fertilização:
a ovelha Dolly.
O responsável pela produção da revolucionária
vacina bovina, Prof. Dr. John Satbull (ele próprio participante
da equipe de cientistas que clonaram a Dolly), informou que o
desenvolvimento do produto envolveu investimentos da ordem de
3,75 bilhões de libras esterlinas, aplicados ao longo de
quatro anos (portanto, de 2000 a 2004).
O Dr. Satbull lembrou que a crise da vaca louca teve início
em 2000 e que até meados de 2001 foram abatidos milhares
de animais, com prejuízos da ordem de US$ 15 bilhões
à economia da União Européia. “Montante
este que incluiu redução na receita gerada pelo
afluxo de turistas, que deixaram de nos visitar por estarem temerosos
de contrair a chamada síndrome de Creutzfeldt-Jacob, uma
variação da doença da vaca louca que ataca
os humanos e causou a morte de 93 pessoas do início de
2000 a outubro de 2001”.
Esclareceu que a maior dificuldade das pesquisas residiu na resistência
das autoridades portuguesas em liberar fragmentos dos ossos da
ex-rainha de Portugal, D. Maria I, “a Louca”, mãe
do rei D. João VI, monarca que ao fugir das tropas napoleônicas
chegou no Brasil em 1820.
“Isso por que – explicou – a vacina foi obtida
através de sofisticada operação de manipulação
da engenharia genética, na qual parte do DNA extraído
do tecido ósseo da D. Maria I foi introduzido no DNA da
saliva da, também falecida, ovelha Dolly. O antígeno
assim produzido foi purificado e injetado em vacas infectadas,
mostrando-se eficaz em 99,3% do plantel bovino testado em nossos
laboratórios”. Com a enorme economia gerada pelo
controle da perniciosa enfermidade, a Academia Real de Ciências
do Reino Unido sugeriu que a coroa britânica conceda o título
de Sir ao eminente cientista escocês.
O presidente da Academia Real, Sir Paul-Louis Fernand Brighton,
que também assessora o Conselho Científico da Real
Academia da Suécia, considera que, além da concessão
do honroso título de Sir, o Dr. Satbull é fortíssimo
candidato ao Prêmio Nobel de Medicina de 2005 por sua extrema
contribuição aos estudos da síndrome de Creutzfeldt-Jacob,
deletéria e de alta letalidade aos homens.
Humilde e bem-humorado, o Prof. John Satbull mostrou-se honrado
com as indicações de seu nome pela comunidade científica
britânica e admitiu que o controle do mal da vaca louca
é de interesse econômico e sanitário mundial.
“Afinal, na Índia a vaca é sagrada; na Inglaterra,
louca e em alguns países das Américas chega até
mesmo a ocupar altos cargos da administração pública
nas grandes metrópoles”, concluiu maliciosa e jocosamente
o brilhante cientista.
Na área da agricultura, o grande destaque foi o desenvolvimento
do milho transgênico pela gigante transnacional Seedsanto,
sediada em Kochan-xixa, na Coréia do Sul. O biólogo
responsável pelo desenvolvimento das sementes foi o cientista
Fan Di Chou que obteve um híbrido de elevado conteúdo
protéico e totalmente resistente aos inimigos naturais
daquele grão, como fungos, bactérias e pragas. A
principal vantagem no entender do Dr. Di Chou é que além
do aumento da produtividade agrícola do milho – que,
segundo ele, saltará de 1,5 tonelada para 3 toneladas por
hectare plantado – haverá total dispensa na utilização
de fertilizantes e herbicidas, também produzidos pela mesma
poderosa empresa. Além disso, segundo ele, são obtidas
espigas com o dobro do tamanho e grãos até quatro
vezes mais pesados e volumosos que os das culturas convencionais.
Prevê, por isso, que já na safra 2005/2006 a produção
sul-coreana de milho passará de 1,1 milhão para
3,39 milhões de toneladas. Como toda produção
já será de milho transgênico, o governo coreano
destinará o excedente de 2,29 milhões de toneladas
à exportação para os países que já
se mostraram interessados na compra do produto.
Até o momento, cinco países manifestaram intenção
de adquirir as sementes transgênicas de milho: Burkina Fasso,
Sudão, Somália, Suazilândia (todos na África)
e o Brasil. Como de todos, o que apresenta maior poder de absorção
é o Brasil, a empresa estruturou gigantesco departamento
de marketing para o qual já foram contratados publicitários
brasileiros, todos liderados pelas Professoras Dirce Nicole Zanneth
e Lúcia Jorge Almanach. Segundo elas, o milho transgênico,
que será comercializado no mundo todo sob a marca registrada
“CornPlus”, já conta com campanha de peças
publicitárias a serem veiculadas pela mídia brasileira
do início de fevereiro até o dia 29 de novembro
próximo, que é quando serão desembarcados
nos portos brasileiros os dois primeiros lotes de 1 milhão
de toneladas, cada um deles. As diretoras de marketing da Seedsanto
anteciparam que o slogan da campanha será: “Plante
CornPlus e veja o seu milho passar a milhão, gerando milhões”.
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Cornelius Klein, por modéstia e questão
ética, não citou a si próprio como um dos
destaques do ano na área de ciência. Ele foi escolhido,
no começo de dezembro, o Cientista Modelo de 2004 pela
influente publicação australiana Messy and Hokum
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