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Leitores
escolhem
imagens que
representaram o
Brasil em 2004
Por
Gelsomina Bellacoda
Editora de Levantamentos
Cerca de cinco mil leitores do SacolãoBrasil
escolheram as imagens que representaram o país no ano que
passou. Em seu site na internet, o jornal pôs à disposição
dos leitores 545 fotos, imagens, gravuras, desenhos e charges
sobre os principais acontecimentos ocorridos no Brasil em 2004.
Violência, dificuldade financeira e corrupção
foram os temas com o maior número de escolhas. O primeiro,
com 2.200 votos, o segundo, com 1.850 e o terceiro, com 950 votos.
O número de leitores que votaram totalizou 4.980.
Cada leitor podia votar em quantos itens quisesse, mas somente
uma vez em cada um deles. No sentido negativo, as imagens mais
votadas, a partir do quarto lugar, foram estas: a mediocridade
dos governantes, impunidade de criminosos e políticos,
as drogas, agências de publicidade, pobreza, televisão,
música popular brasileira, cinema nacional, canais a cabo,
cartolas e juízes de futebol e as loterias, esta última,
segundo 780 leitores, “responsáveis diretas pelo
empobrecimento mais acelerado do povo”.
Cerca de 100 imagens, das 545 oferecidas no nosso site, mostravam
acontecimentos positivos do país, mas somente quatro delas
foram escolhidas, todas relacionadas ao heroísmo do brasileiro
diante da adversidade do dia-a-dia. Todos os 30 primeiros temas
oferecidos tinham sua foto correspondente, com exceção
de corrupção, que, como se sabe, é quase
impossível ser fotografada. Por isso, foi usado um desenho.
Uma
coisa só
Helga
Loefgren Ragout, que coordenou a pesquisa, diz que somente a apuração
dos votos demandou dois dias de trabalho, envolvendo os editores
Rocco Marques e Reinaldo Nader e 13 funcionários do jornal.Ela
destaca que, do total de votos apurados, cerca de 90 por cento
vêem o Brasil de modo bastante pessimista, e alguns acham
mesmo que ainda não será neste século que
o país estará na trilha do progresso social e econômico.
Também o Fome Zero foi visto com desconfiança pelos
votantes.Um deles, que se identificou apenas como “Fominha
de Brasília”, diz que ainda não morreu de
fome graças aos cozinheiros do Palácio da Alvorada,
que diariamente guardam sobras de comida e levam para ele em seu
barraco num bairro periférico da Capital.
A coordenadora da pesquisa conta que 300 mensagens tinham comentários
impublicáveis, a maior parte relacionada a políticos,
corrupção e impunidade que, curiosamente, foram
consideradas uma coisa só pela maioria dos leitores.
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