Recall de anticoncepcional
envolve indenização bilionária

A exemplo do que aconteceu em setembro e outubro deste ano, quando milhares de usuários do conhecido antiinflamatório Vioxx foram informados de que seu uso aumentaria o risco de problemas cardíacos e que, por isso, o remédio não só seria retirado do mercado, mas seus usuários ressarcidos por eventuais danos causados à saúde, as usuárias do anticoncepcional Enjoysex69 fizeram jus, na década de 80, a milionárias indenizações pagas pelo laboratório pertencente ao consórcio ítalo-franco-suíço Avanti Populi-Condom D´Or.

“Naquela época, usuárias dispersas em várias partes do mundo utilizaram-se do anticontraceptivo que, por erro de formulação farmacêutica, atuou de maneira contrária e acabou elevando em até 80% o índice de fertilização nas pacientes que dele fizeram uso”, informou, com exclusividade a Eremildo Roque da Silva, nosso correspondente em Berna, o diretor-presidente da empresa farmacêutica, Charles-Marie Grigou.

O alto executivo do laboratório fabricante – vinculado ao grupo farmacêutico Golden Condom Corporation, com sede em Los Angeles, EUA – disse que o desenvolvimento do produto custou US$ 25 bilhões, aplicados nos três anos de pesquisas, todas lideradas pelo farmacêutico e bioquímico Dr. Paul Joseph Madmind, autoridade mundial nas investigações científicas sobre pílulas anticoncepcionais. Grigou assegurou que, apesar da adoção de todas as medidas que cercam a introdução de novo fármaco no mercado, a empresa que preside não conseguiu livrar-se do recolhimento de US$ 7,3 bilhões a título de indenização às mulheres que usaram o Enjoysex69 para evitar gravidez não-desejada ou não-planejada.

Como exemplo do cuidadoso planejamento estratégico e mercadológico – antecedido por acurada aplicação em camundongos e cobaias, onde o produto mostrou eficiência de 98,7% na contracepção das fêmeas – Grigou mencionou a realização de exaustivos testes clínicos aplicados em diversas localidades do mundo, onde os próprios governos estavam interessados em implementar sistemas de controle de natalidade. No sul da África, os ensaios clínicos de uso experimental do produto concentraram-se no Hospital Central de Goborone (na capital de Botsuana), no qual os trabalhos foram conduzidos pela Dra. Lucie Anne Pachanga Blonde, que administrou a droga – o gliceroprogesteronato bisódico ortorrômbico de cobre, ferro e chumbo, conhecido na literatura farmacêutica internacional pela fórmula química genérica C5H14N2O11Na2CuFePb – e o anticoncepcional foi prescrito a 872 pacientes, das quais 570 engravidaram no mês seguinte ao início do tratamento.

Já no norte da África, a localidade escolhida foi o Hospital Universitário da Faculdade de Medicina de Marrakech e as pesquisas dirigidas pelo Dr. Walter Premura Bathel, que administrou a medicação a 370 mulheres, das quais 296 engravidaram nas duas semanas seguintes ao início do tratamento. Na Ásia, os ensaios clínicos tiveram lugar na cidade nepalesa de Katmandu em cujo principal posto de saúde comunitária, o Dr. Jumia Trubisket Sungh ensaiou a mesma medicação em 631 mulheres, das quais 485 engravidaram no decorrer dos três primeiros meses de tratamento.

Por fim, em pleno polígono brasileiro das secas e no povoado piauiense de Terra Seca, os testes foram conduzidos pela única ginecologista da localidade, a Dra. Marinalva Eduardo da Graça, que estudou uma população de 47 mulheres às quais foram distribuídos o Enjoysex69 e destas, 31 engravidaram.

“O número só não foi maior porque ao fugir da seca, em busca de alimentos em outras regiões do País, 16 das então grávidas abandonaram Terra Seca. E o nosso azar foi que entre as 31 grávidas que permaneceram no povoado, estava a própria Dra. Marinalva, que tomou o anticoncepcional e também acabou engravidando. Ela própria entrou com representação jurídica contra a nossa empresa junto à Corte de Direitos Humanos em Viena (na Áustria), entidade que nos obrigou a ressarcir todas as vítimas da medicação, gerando os US$ 7,3 bilhões gastos nas indenizações”, esclareceu o presidente da empresa suíça.

Para amortizar os vultosos custos do desenvolvimento do produto, bem como para recuperar-se do prejuízo gerado pelo pagamento das indenizações, o laboratório ítalo-franco-suíço reformulou o marketing de comercialização do Enjoysex69, passando a ofertar o produto aos tratamentos voltados à fertilização humana assistida, rebatizando-o com o sugestivo nome de Fullpregnancy.


* Cornelius Klein, antes de se dedicar à ciência e ao estudo das células-tronco em clones de girinos, foi vice-presidente de três laboratórios internacionais, lançadores de medicamentos que mudaram para sempre os conceitos de doenças incuráveis. Um deles, o Aubergine, livrou da flatulência crônica cerca de dois milhões de croatas na região de Tucanje em 1968.