Por trás do nome, o lado
mais sério da eleição

Eu queria votar aqui. Como jornalista, cobri eleições neste mundo inteiro, mas nada é mais prazeroso do que voltar ao Brasil na ocasião em que são escolhidos prefeitos e vereadores em centenas de cidades deste país imenso.

Divertido porque os nomes com que se candidatam são intraduzíveis para meus leitores do “Weekly News”, de Porkville, Iowa. Como vão acreditar que existe no Crato, Ceará, um tal de Zé do Carrapato? Ou, em outro extremo, em Chuí, Rio Grande do Sul, o Chico Ruela, que descobri ser arruela, que se fixam com parafusos? E tem o Mosquito, em Nova Europa, Estado de São Paulo, que vai dar lugar agora ao favorito na pesquisa dos mil e poucos eleitores: Cacheta.

Mas são apelidos que carregam desde criança e até mesmo eles se surpreendem quando os chamam pelo verdadeiro nome.

Muito interessantes – e meus leitores americanos também não vão acreditar – são as promessas que fazem, se eleitos forem.

Um candidato a vereador de Pequi, Goiás, prometeu doar Viagra a todos os eleitores que não conseguem bom desempenho sexual. Mas teriam que provar, atrás de um biombo estrategicamente instalado em seu gabinete, com um aparelho de vídeo passando filmes pornôs, que o pimpolho fálico não desse nenhum sinal de vida.

Já o candidato à prefeito Simeão, de Estrela do Forte, Rio Grande do Norte, prometeu fundar o Clube do Chifre. Os varões traídos poderiam dar vazão à ira e ao infortúnio espancando bonecas infláveis ruivas, loiras, morenas e mulatas, num ambiente descontraído e animado por bandas tocando músicas do Reginaldo Rossi.

Chico Bodum, candidato a vereador em Iracema, Paraíba, prometeu aos eleitores que morressem no dia da eleição, mas que antes lhe tivessem dado o voto, um enterro todo por conta dele, com banda marcial tocando seus forrós preferidos.

O vereador Tonho da Vaca Preta, de Governador Valadares, Minas Gerais, prometeu uma ponte aérea gratuita até a fronteira do México, com um kit completo de sobrevivência no deserto, incluindo um alicate para cortar os arames da fronteira com os Estados Unidos.

Vitalino da Mãe Gorda, de Vitelo, Ceará, prometeu acrescentar ao prato-feito do Fome Zero, do Presidente Lula, além de duas pimentas malaguetas, um punhado de farinha de mandioca feita em tacho de cobre e fogão de lenha.

Não menos criativo, Hans Holsauzein, de Blumenau, Santa Catarina, prometeu livrar da cadeia, por crime de lesões corporais, aqueles que espancassem garçons que exagerassem na espuma das canecas de chopes durante a Oktoberfest.

E um último, de Minuano do Norte, Rio Grande do Sul, um candidato prometeu distribuir bombachas com compartimentos especiais para reter flatulências, que tanto prejudicam a camada de ozônio.

Tudo isso registrado aqui, na memória de minha Smith-Corona 1956, a ser levado para os meus leitores americanos, também em época de eleger um novo presidente. Um, que se desdiz a toda hora. Outro, que não sabe andar de bicicleta.


(*) Stan O. Laurel, brasilianista com largo conhecimento dos costumes políticos do Brasil, já se engajou certa vez na bem-sucedida campanha do candidato a prefeito de sua cidade natal em Iowa, cujo apelido era Jack Sillyass. Quanto à eleição presidencial dos EUA, confessa que o ideal seria um terceiro candidato.