Em pleno território
do Conde Drácula

Aproveitei meus três meses de férias deste vibrante SacolãoBrasil para realizar um sonho de vários anos e que ameaçava se tornar um pesadelo na hipótese de não se concretizar. Estou me referindo ao secular Festival de Literatura Fantástica de Targul, realizado desde 1879 nesta sombria cidade nas montanhas da Romênia. A cidade, para quem não sabe, situa-se na Transilvânia,na bela região rural por onde perambulava, em busca de sangue humano, o sinistro Conde Drácula, criação literária do genial irlandês Abraham Stoker, mais conhecido como Bram Stoker (1847-1812).

O personagem foi sempre um dos meus prediletos na literatura mundial e dele tenho nada menos que 138 edições em 32 idiomas, uma delas, inestimável raridade, com dedicatória em bico de pena, do próprio Stoker. Dizem que a cor vermelha da tinta da dedicatória é sangue, mas creio ser um exagero, ou excesso de imaginação de algum brincalhão. Se meus prezados leitores quiserem saber, já recusei de um livreiro e colecionador de Bratislava dez mil dólares por essa raríssima edição. Mas vamos ao que interessa.

No acima mencionado festival, onde se apresentaram concorrentes de 19 países (do Brasil tivemos o jovem e talentoso Jairo Boiling Narcejac, talvez nosso mais importante escritor de literatura fantástica), todos concorrendo ao Prêmio Vlad Impaler, o mais prestigioso daquele país, no valor de 12 mil dólares!

Como meu espaço já se esgota, prometo mais detalhes na próxima coluna, inclusive apresentando uma reveladora entrevista exclusiva com o vencedor do concurso, o finlandês Perhonen Aasi, autor do romance gótico “Veri Katkera” ou “Sangue na Montanha Dourada dos Cárpatos”, sem exagero, a mais sangrenta e assustadora obra de ficção que jamais li. Até a próxima.

(Lallo Bloombury viajou à Romênia pela Van Helsing Airways a convite do Clube dos Amigos Impaladores de Vlad e Stoker)