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Meu
conterrâneo e ex-aluno do programa de Pós-Doutorado
em Astrofísica na venerável universidade holandesa
de Leitten e atual astrônomo-chefe do Observatório
de Sneek (localizado à beira do fiorde sueco Kaagesberg),
Dr. Jacopus van Kunnilingus Trubisco, informou haver identificado
na noite do último dia 28 de julho um novo planeta integrante
do sistema solar. Será, portanto, o décimo planeta
a gravitar ao redor do Sol já que é precedido, pela
ordem, por Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter,
Saturno, Netuno, Urano e Plutão. A descoberta do novo astro
foi possível graças à interpretação
computacional das imagens tridimensionais coletadas e enviadas
à Terra pelo supertelescópio espacial Rumble, mantido
a 748,3 milhões de quilômetros da Terra e operado
pelo consórcio espacial sino-sueco Sky&Tear, através
da base islandesa de lançamento na localidade de Herdaland.
De acordo com o Prof. Dr. Trubisco, do final de maio até
meados do último mês de agosto foram efetuados cálculos
matemáticos para determinar as características físicas
e químicas do novo astro, bem como a da sua rota de deslocamento
e de gravitação ao redor do Sol.
“As primeiras indicações do recém-descoberto
planeta – informou-me o ex-aluno por telefone – dão
conta tratar-se de um corpo celeste constituído de núcleo
rochoso com diâmetro equatorial aproximado de 12 mil quilômetros
(portanto, pouco menor que o da Terra, que conta, também
na região equatorial, com diâmetro de 12.756,8 km)
e envolto por espesso manto gasoso”.
Ainda segundo van Kunnilingus, “o envoltório gasoso
é constituído basicamente de vapores congelados
de metano, amônia e gás carbônico, a exemplo
do que ocorre com a atmosfera dos cinco planetas que o antecedem,
ou seja, de Júpiter a Plutão”. Descartou,
em princípio, a existência de vapor congelado de
água, embora admita a existência de traços
de gelo desidratado. A suspeita da existência de tais traços
foi reforçada durante a realização de análises
espectroscópicas (vale aqui esclarecer que o espectroscópio
é um aparelho de laboratório que decompõe
a luz proveniente de estrelas ou a luz solar refletida pelos planetas,
indicando todos os seus elementos químicos constituintes)
pelo seu assistente, o astrônomo português Dr. Lúcio
Paulo do Amaral Prazeres e Alcouce.
Contrariando, em parte, a tradição de atribuir nomes
de deuses da mitologia greco-romana aos planetas do sistema solar,
o Prof. Trubisco batizou o novo astro de Thor, em homenagem ao
gigantesco deus da mitologia nórdica, na qual é
associado ao ‘deus do trovão’. O cientista
justificou a escolha argumentando ser uma homenagem ao país
onde está radicado e, ainda, pelo fato de no decorrer do
dia 28 de maio a localidade de Herdaland ter sido atingida por
tenebrosa tempestade de raios atmosféricos. Para preservar
a tradição, contudo, atribuiu aos cinco satélites
naturais (ou luas) já identificados nomes de semideuses
da mitologia grega, ou seja, dos seres que ajudavam os deuses
maiores do monte Olimpo em suas missões de proteção
à humanidade. Assim é que por ordem decrescente
de tamanho figuram as seguintes luas: Pã (semideus dos
campos e dos bosques), Priapo (da fertilidade), Eros (do amor
e do desejo), Urânia (da Astronomia) e Asclépio (da
Medicina).
Ao ser indagado sobre a natureza do núcleo rochoso e denso
do planeta Thor, van Kunnilingus Trubisco disse ser prematuro
estabelecer qualquer hipótese. “Atualmente o que
se pode afirmar é que Thor foi o último planeta
do sistema solar a se consolidar como corpo celeste do nosso sistema.
Sua formação ocorreu há cerca de 4 bilhões
de anos e, portanto, 500 milhões antes da formação
da Terra. Por outro lado, ainda que fosse lançada hoje
uma sonda espacial para estudar a superfície do planeta,
ela jamais chegaria a Thor antes de meados do século XXII.
E isto seria uma missão absolutamente sem o menor interesse
científico, de vez que conheceremos ao vivo a verdadeira
natureza do seu núcleo no dia 30 de junho de 2117 e durante
a ocorrência de um eclipse total do Sol, quando a Terra,
com muita certeza, será atingida pelo recém-descoberto
10º planeta do sistema solar. As conseqüências
dessa destruidora colisão serão, com certeza, inimagináveis”,
concluiu incisiva e assustadoramente o Dr. Trubisco.
*
Cornelius Klein nunca esqueceu a profecia de um antigo professor,
o holandês Johann Mondspoeling Muis, que ao fim do curso
de Astrofísica, em 1959, lhe disse que a Terra seria destruída
ao colidir com um novo planeta cujo nome começaria com
a letra T. Por isso, tentou, sem sucesso, mudar o nome de Thor,
temendo que a profecia se realizasse, o que de fato vai acontecer. |