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Nível
intelectual dos que
pedem esmolas nas ruas
é o mais alto em 18 meses
Por
Nestor Olivetti
Editor de blogs
Pesquisa realizada em oito capitais brasileiras mostra que o nível
intelectual e econômico de pedintes, mendigos e outros desempregados
que perambulam pelas ruas em busca de ajuda aumentou consideravelmente
nos últimos 18 meses. Feita pela empresa Voz da Rua,
Voz de Deus, associada à americana Head Hunter
in the Streets Research, a pesquisa, a mais completa já
feita no Brasil, entrevistou 13.850 homens e mulheres no Rio,
em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Recife,
Brasília e Teresina, num período de dois meses,
e surpreendeu pesquisadores, analistas e os sociólogos
que tiveram acesso aos resultados.
Se a maioria dos entrevistados (9.030) é constituída
dos habituais sem-teto, de zero poder aquisitivo e nível
mínimo de escolaridade, o restante causou surpresa e até
mesmo espanto. Por exemplo, entre os desempregados foram encontrados
nas ruas das oito cidades pesquisadas 184 ex-deputados federais
e estaduais, 156 corretores da bolsa de valores, 140 DJ’s
e VJ’s, 123 músicos de rock, 90 cineastas, 75 escritores,
68 cientistas, 60 jornalistas (dos quais, 31 editores, subeditores
e correspondentes), 57 médicos, 48 professores, 41 sociólogos,
25 delegados de polícia (nove da polícia federal),
20 vendedores de livros e enciclopédias, 18 publicitários
(três deles donos de agências que faliram),13 advogados,10
decoradores, oito promoters e nada menos que cinco juízes
de direito!
Os artigos oferecidos ao público por esses desempregados
variavam entre o pedido puro e simples de esmola, venda de roupas,
balas, chocolates, frutas, canetas, flanelas, tíquete-restaurante,
camisinhas, zona azul, exibições de música,
malabarismo com bastões e bolas de borracha, venda de DVDs
e CDs, de apostilas com informações e dicas sobre
a profissão de cada um deles, até itens inesperados:
dois publicitários tentavam vender troféus ganhos
em festivais internacionais, um juiz oferecia nada menos que uma
coleção de livros de direito e outro vendia livros
raros de Rui Barbosa.
Ruas de talentos
O
lado positivo deste melancólico panorama do desemprego
nas nossas grandes metrópoles é que Jonathan Griddy
Roofless, presidente da empresa americana co-patrocinadora da
pesquisa, afirma que teve um objetivo ao se associar ao grupo
brasileiro: contratar nas ruas os mais qualificados entre os desempregados
e levá-los para os Estados Unidos, onde o crescente nível
de emprego provocou escassez de mão-de-obra especializada.
Embora a análise definitiva da pesquisa ainda não
esteja concluída, Roofless adiantou ao repórter
que tem particular interesse na contratação inicial
de nada menos que 48 deles. Ele mostrou grande interesse em 14
cientistas (um deles chegou a ser cogitado como candidato ao Nobel
de Física), oito músicos de rock, cinco decoradores
e três DJs, que pretende usar em um dos seus 35 clubes noturnos
em Dallas, no Texas, sede da sua empresa.
Segundo Roofless, “desemprego existe em qualquer país,
até no meu, mas há sempre um lado bom, que neste
caso é o fato de as ruas brasileiras estarem tão
cheias de talentos, e de todos os ramos de atividade”.
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