Acreditem se quiserem

Meus leitores não acreditam. Pensam que o que escrevo no Weekly News, Iowa, USA, seja uma coluna de humor. Eu mesmo às vezes não acredito que colho tais informações como brasilianista e seja, assim, motivo de chacotas dos habitantes de Porkville.

Acham que o Brasil não existe e o teor de meu texto é apenas uma má tentativa de imitar Mark Twain.

O Brasil existe e está indo muito bem. O desemprego diminui a olhos vistos em números e estatísticas. O presidente Lula viaja para lá e para cá e já encomendou um avião novo de vários milhões de dólares.

Parece que outros tantos milhões, desviados para contas em bancos no exterior por empresários e políticos, em nada afetaram a caminhada do “gigante adormecido”. Documentos legítimos, ordens de depósitos e transferências de fundos com assinaturas - que dizem forjadas – são todas negadas. Parece que seguiram o conselho de meu amigo brasilianista inglês Kenneth Goodson, que adota como lema a negativa, mesmo sendo apanhado em flagrante com uma mulher nua na cama, que não seja sua santa esposa.

Mas minha função é narrar o que vejo, mesmo sendo alvo de mofa pela maioria de meus leitores, registrado pelas já gastas teclas de minha Smith-Corona 1956.

Pasmem vocês que um debate no Congresso, para permitir o aborto em fetos sem cérebros, causou grande alvoroço na sociedade, sendo mesmo condenado pela Igreja. Se já deixaram nascer tantos deles – Brasília tem inúmeros exemplos, com políticos e altos funcionários atuando a pleno vapor – o que custa dar continuidade a seres que poderão ser úteis ao país no futuro?

A futrica, espionagem e manobras suspeitas grassam soltas. Operações da Polícia Federal prendem seus próprios delegados, envolvidos em roubos de carga, e juízes suspeitos de venderem sentenças. Todos negam, claro, sendo soltos em poucos dias.

Um português foi preso, acusado de entrar em computadores de ministros e funcionários de altos cargos a serviço de multinacionais , sendo apanhado – dizem as más línguas – porque portava um crachá que identificava sua função de espião.

O Movimento dos Sem-Terra invade tudo o que vê pela frente. O presidente Lula teve que usar de mandato judicial para expulsar meia dúzia deles que se recusavam a sair do banheiro de seu avião, muito propriamente chamado de “Sucatão” ou “Risco Brasil”.

Quanto à invasão de prédios do INSS, já lhes dou certa razão, por ser um lugar totalmente improdutivo.

A Lei do Abate, que permite derrubar aviões usados no tráfico de drogas e que não obedeçam a ordens para aterrissar, não terá efeito se tiver crianças a bordo. As que vendem drogas em favelas do Rio agora viajarão de avião.

Erros estratégicos existem, como a vitória no futebol contra a Argentina, que deixará de comprar de vez geladeiras brasileiras.

Por essas e outras – menos a fila do INSS – o País anda, o presidente Lula viaja e meus leitores de Iowa estão cobertos de razão.


(*) Stan O. Laurel já esteve à beira de abandonar sua especialidade de brasilianista por ser alvo constante do sarcasmo da população de sua cidade natal, que não acredita que o Brasil seja assim mesmo. Mas mudou de idéia e decidiu dar um crédito de confiança e continuar brasilianista até o fim do mandato do atual presidente brasileiro que, segundo ele, “é um baú cheio de assuntos quentes”.