Bela modelo russa está no
Brasil em busca de emprego

Por Maria Katina Paxinou
Enviada especial ao Rio

Tatiana Marzipanova Plissetskaya, que há três anos era uma das mais conhecidas modelos da Rússia, está no Rio procurando emprego “na alegre e vibrante moda brasileira”, como ela diz. Depois de aparecer em centenas de capas de revistas, outdoors, desfiles de moda e até como apresentadora num programa de televisão em Moscou, a bela modelo de 29 anos ficou desempregada com a crise econômica de seu país. Ela tentou uma nova carreira no exterior, que não deu certo, voltou para a Rússia e teve que sobreviver em modestos empregos,como motorista de ônibus, costureira, estrela de filmes pornôs e tratorista numa fazenda nos arredores de São Petersburgo.

Ela conta que viu uma vez na televisão um documentário sobre moda brasileira, ficou impressionada com o colorido,a agitação dos desfiles e sensualidade e beleza das mulheres e decidiu arriscar a sorte por aqui. Economizou durante dois anos, com a ajuda dos pais, mudou o nome para Tati Marzi e embarcou para o Brasil. Desde o mês passado ela está morando numa pensão no Rio, mas sonha em mudar-se para a capital paulista, depois que lhe contaram que a São Paulo Fashion Week é o máximo em moda e oferece muitas oportunidades de emprego.

Sonho paulista

Ela está vivendo com o resto de suas economias e de um emprego temporário como guia turística de uma agência carioca, que conseguiu porque fala fluentemente quatro idiomas. E já ensaia algumas palavras em português, duas delas sonoros palavrões, que lhe foram ensinados por um patrício que trabalha numa loja de câmbio. Tati se adaptou logo à vida carioca, mas se queixa bastante do calor e porque já foi vítima de cinco contos do vigário e três assaltos, um deles quando uma mulher a atacou na rua e fugiu com uma de suas cinco perucas. E logo a predileta, segundo se lamenta, que ela usou numa foto famosa em seu país, vestida de vaqueira e tendo ao fundo uma bandeira com a foice e o martelo. A foto, um anúncio para um uísque americano, lhe rendeu uma pequena fortuna.

Ela afirma que, tão logo consiga juntar alguma economia, pretende sair do Rio e se mudar para São Paulo, onde espera, segundo explica, num português torto, “non encontrá tanta vigarista como aqui”.