Provão reprova
350 candidatos
a vereador e
145 a prefeito

Por Castor Almeida
Correspondente

Quase 500 candidatos a prefeito e vereador foram reprovados a semana passada pela Justiça eleitoral em várias cidades do Rio, São Paulo e Bahia, num teste de conhecimentos básicos.Chamado de “provão dos candidatos”, o teste vem se tornando um terror para milhares de aspirantes a político em todo o país.

Surpreendentemente, os maiores índices de reprovação acontecem numa área inesperada: alfabetização. A maioria dos candidatos, em cerca de 300 cidades dos três estados, não sabe ler nem escrever.

Com questões básicas de português e matemática, além de conhecimentos gerais, o teste vem sendo duramente criticado pelos partidos, que estão enfrentando, por isso, uma drástica redução nos seus quadros de aspirantes a prefeito e vereadores.

No Rio, um candidato a vereador foi reprovado, causando ainda incontroláveis acessos de riso dos juízes eleitorais, quando perguntado onde ficava a cidade de Teresina. Ele respondeu: “Fica bem embaixo do” P “de Piauí”, referindo-se ao mapa geográfico daquele estado, que ele havia consultado e não entendido.

Em São Paulo, um candidato a prefeito de Ribeirão Preto respondeu assim à pergunta sobre a população do Brasil: “Tem 300 milhões de almas”.

Juiz lamenta

No interior da Bahia, um candidato a prefeito venceu heroicamente algumas questões de português e matemática e conseguiu passar à fase seguinte do teste, que era sobre história, e perguntava sobre o descobrimento do Brasil. Sua resposta: “Cabral, quando descobriu o Brasil, ia para a Espanha”. Outro candidato, no mesmo teste, respondeu: “O Brasil, se pensarmos bem, não foi descoberto por acaso”. Houve ainda outro candidato a prefeito que, perguntado sobre qual a capital brasileira, chorou incontrolavelmente depois de oito tentativas, todas erradas.

O juiz eleitoral Ismael José Pirágine comentou, entre sério e mal contendo o riso: “Lamento participar de tal teste, que revela o baixo nível e o descalabro não só da nossa estrutura político-partidária mas principalmente do ensino brasileiro, em todos os setores”.