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Brasileiro
faz parte de
descoberta que muda
tudo sobre Egito antigo
Por
Mário Calil Baqara
Editor de Novas Idéias
O
brasileiro Basílio Nasser Farcha, assistente do célebre
arqueólogo inglês Sir Frederick Digging Deepdown,
disse ontem que a descoberta da sua equipe numa escavação
no ano passado no Egito altera grande parte do que se conhecia
até agora sobre os antigos egípcios.
“Eles tinham humor, grande senso de humor, ao contrário
do que a história e a arqueologia nos mostraram ao longo
de séculos de escavações, pesquisas, interpretações
e estudos. Essa a maior e mais inesperada descoberta nossa”,
afirma Farcha.
Ele está em Curitiba para rever parentes e amigos e, no
hotel onde se hospeda, mostra ao repórter reproduções
de pinturas, entalhes, hieróglifos e gravuras de um templo
descoberto numa profunda escavação na região
de Siwa, perto da fronteira com a Líbia.
“De início, nossa equipe, que cavava o local há
mais de dez meses, esperava encontrar coisas antigas, sem grande
significado para a arqueologia”, conta Farcha. “Nada
da importância de Abu Simbel,no sul do Egito, onde, em 1812,
foi encontrado o templo construído por Ramsés II.
Mas jamais poderíamos imaginar que estávamos à
beira de uma descoberta que, Sir Frederick anunciou, altera para
sempre grande parte do que sabíamos sobre os antigos egípcios.”
Farcha prossegue: “Para começar, todas as imagens
daquela era que chegaram até nós jamais revelaram
o lado menos sério da vida naqueles tempos. Mas com a nossa
descoberta, sabemos agora que eles tinham agudo senso de humor
e eram capazes até mesmo de contar em desenhos e entalhes
o que pode ser entendido como uma piada, ou melhor, uma caricatura,
algo muito semelhante ao que temos hoje”, explica o arqueólogo
brasileiro. “Se exagerarmos um pouco, podemos afirmar mesmo
que essas gravuras são os ancestrais dos caricaturistas
e cartunistas modernos”.
Humor
perigoso
No
total, cerca de 100 reproduções foram feitas das
pinturas encontradas nas escavações e esse importante
acervo fará parte de uma exposição internacional
que percorrerá ano que vem vários países
para mostrar ao mundo o lado bem-humorado dos antigos egípcios.
A exposição já tem até nome, condizente
com o achado: “Happy Ancient Egypt” ou “Feliz
Antigo Egito”.
De acordo com Farcha, a descoberta mostra que os temas abordados
pelos “cartunistas” egípcios de outrora eram
os mais variados, alguns, com forte senso de sátira e crítica.
Entre eles,a família, os militares, os escravos, os governantes,
os médicos e os animais, dos quais o mais comum era o boi.
Segundo Farcha, “satirizar o boi foi uma prova de coragem
e temeridade do anônimo artista daquele tempo, já
que o animal era considerado uma divindade, assim como os faraós.
Seria o mesmo que fazer humor e sátira com um estadista
e um presidente nos dias de hoje. A diferença é
que, hoje em dia, ninguém leva a sério nem bois
nem presidentes”.
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