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O
que aconteceu nos Estados Unidos nos anos 50, aquela caça
às bruxas comunistas, parece estar se repetindo aqui no
Brasil. E logo comigo, Dio! Falo de toda esta confusão
em torno do bingo. Não é que além das mentirosas
acusações contra nobres membros do governo, sobrou
pra mim também. E sabem por quê? Só porque
trabalhei como gerente-geral de uma cadeia de bingos em Brasília.
E também porque eu tinha como amigos vários políticos,
alguns nos altos escalões do governo, ligados aos operosos
empresários dos bingos, fui intimado a depor numa comissão
criada pela Justiça. Gesù! Mas logo eu, um
pobre e honesto imigrante italiano, há 30 anos vivendo
no Brasil, com filhos brasileiros e tudo.
Para provar que acredita em mim e em nossa amizade de mais de
15 anos, um deputado federal me pagou um advogado que me orientou
no meu depoimento. Durante mais de uma hora me fizeram perguntas
de todo o tipo, algumas ofensivas à minha dignidade, mas
suportei firme e não escondi nada, sempre ajudado pelo
advogado, um homem muito inteligente, que deixou os meus interrogadores
meio sem graça.
Mas eles disseram que meu depoimento não acabou ainda.
Dentro de mais algumas semanas vou ser chamado outra vez, e tudo
isso por causa do bingo e daquele homem chamado Waldomiro não
sei de quê.
Conversei com o meu amigo Ferrão, que é diretor
do SacolãoBrasil, e ele me aconselhou contar nesta
minha coluna tudo o que aconteceu comigo, e é isso que
estou fazendo agora.Questão de honestidade e transparência.
Todos esses dissabores só por causa do bingo. É
ou não é perseguição, coisa de caça
às bruxas? Diante de tudo isso, vou encerrar a coluna com
um ditado que meu avó da Sicília, Don Basílio
Tomba, costumava citar, sempre que a polícia o atormentava,
acusando-o injustamente de capo mafioso: "Dio mio! Che
cosa o fatto per meritare tale punizzione?" (Meu Deus,
que coisa fiz para merecer este castigo?).
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