Sem-terra no ar

A história publicada na última edição, na coluna do brasilianista Stan Laurel, sobre o novo avião do presidente, me deixou intrigado. O avião é uma espécie de ministério voador, onde não faltam nem mesmo salas de jogos e de filmes, sem falar em baias para os ministros do governo. Minha curiosidade é a seguinte: e os sem-terra, vão ficar em que parte do avião? Paulo Stédily, Pontal do Paranapanema, SP.

Boa pergunta, Stédily. O Stan Laurel, na coluna da última edição, chegou a citar um compartimento na cauda do avião, onde viu escrito "Foices, facões machados e machadinhas", e deduziu que seriam para os sem-terra. Mas, ao perguntar a um assessor aviatório da presidência o que significavam,teve a seguinte resposta: "Pensamos em tudo. É um compartimento de ferramentas, no caso do avião fazer pouso de emergência em algum recanto remoto do Brasil".

Klein e a doutora

Senhor Editor: Causou-nos viva impressão o teor do artigo no último SacolaoBrasil (Ano 4, nº 39) de autoria do Dr. Cornelius Klein. Em lúcido artigo, o internacionalmente consagrado cientista aborda, com propriedade, a produção de botox mediante o emprego de insumos locais e abundantes na região amazônica brasileira. Gostaria de informar que a equipe de cientistas que tenho a honra de dirigir no Centro de Pesquisas Botulínicas da Universidade de Pensacola, Flórida, EUA, já conseguiu sintetizar em escala de laboratório o Manatox. Trata-se de um produto similar ao descrito pelo Dr. Klein que é, também, obtido pela reação química catalítica entre o óleo do manati (Tricherus mamatus), mamífero aquático similar ao boto amazônico, e o óxido esterificado do coco de palmeira abundante nas praias do Caribe (espécie Orbignia martiana), com característica similar ao babaçu do Nordeste brasileiro. Para melhor direcionar nossas pesquisas acadêmicas e, eventualmente, promover intercâmbio de experiências, solicitamos nos seja fornecido o endereço da Doutora Lucienne Diva Chou que pela excelência científica de seus trabalhos foi empossada, em abril último, como Magnífica Reitora da Universidade Federal de Tocantins. Justa e merecida homenagem das autoridades educacionais brasileiras, com a qual a comunidade acadêmica internacional se congratula. Dr. Rock Malavoglia, Dean of Pensacola University, President of the Botulinic Clinical Research Center, Miami Beach, Florida, USA.(malavogli@buonfigliodellamore.com).

O endereço solicitado já foi enviado ao Dr. Rock Malavoglia. Quanto à Dra. Lucienne Diva Chou, aproveitamos para oferecer novas informações sobre suas atividades, que não foram abordadas no artigo de Cornelius Klein. A par de suas pesquisas científicas , que lhe deram prestígio mundial, ela é também poetisa, compositora e especialista em folclore indígena da Amazônia e no momento dá os retoques finais no seu livro "1001 Instrumentos Musicais Rústicos dos Índios Txunarremãe-Ypê".

Fim do bingo

Li com muito interesse a coluna do sempre sábio Acácio Boring no último Sacolão. Como ele, sou aposentado, tenho 72 anos e, como o amigo que ele cita, também gostava de jogar bingo.Era só como passatempo e também porque arranjei uma namorada por lá. Agora o governo fechou tudo, e os aposentados, que já não têm muita diversão, perderam mais uma. E toda essa demagogia, só para mostrar serviço, não é mesmo? Paulino Aparecido Rodrigues, Vitória,ES.

"Hermafroditismo" editorial

Sou leitor assíduo do Sacolão e tenho percebido que a chamada grande imprensa está de olho nas matérias que, mensalmente, nos enchem de alegria. E - o melhor de tudo - é que as gargalhadas são de graça.
Como também sou leitor de jornais diários, percebi que o Sacolão vem sendo usado por eles como uma espécie de pauta para os mesmos temas, só que abordados de forma que se convencionou chamar de "séria".
Na edição de abril, o Sacolão trouxe artigo do mordaz Kenneth Goodson sobre a importância do idioma mandarim, espécie de língua franca, entendida por quase um bilhão e meio de chineses. Para o brasilianista britânico, o inglês já era.
Pois não é que, para minha surpresa, na revista da "Folha", que acompanhou a edição de 11/04/04, domingo de Páscoa, havia uma reportagem de duas páginas exatamente sobre o mesmo tema, ou seja, a importância do idioma mandarim para qualquer país que - como o Brasil - se candidate a parceiro comercial da China.
Duas repórteres, cujo nome esqueci de anotar, assinam o texto, uma delas como correspondente do jornal em Pequim; e outra, complementando o assunto, do serviço local, com dicas sobre onde aprender aquele idioma, em São Paulo.
Bem, de duas uma: ou tudo não passou de mais uma "mera coincidência", ou, então, o pessoal da grande mídia está lendo e prestigiando o Sacolão. Nesse caso, a "coincidência", só para fazer jus ao lema de vocês, terá sido o primeiro caso de "hermafroditismo" editorial, com um autor - o Kenneth - presumivelmente do sexo masculino e duas outras co-autoras do sexo (nunca se sabe) feminino. Duílio Vincigüerra, Garibaldi, RS

Pois é, Duílio, o clima geral do país, o de nada criar, só copiar, tornou-se a nova lei do Brasil,a do menor esforço. Mas, para sofisticar um pouco o plágio, vamos apelar para Mark Twain:"Adão foi o único homem que, quando disse algo bom, sabia que ninguém disse antes dele".