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Não
sou nada chegado a esse negócio de músicas antigas,
feitas antes dos anos 80. Aliás, como todos os jovens da
minha geração, que nasceram sob o signo do explosive
e revolucionário rock moderno.Um dos raros conjuntos que
ainda suporto são esses brontossauros, os Beatles, assim
mesmo só duas ou três músicas. E também
porque meu pai, "coroa" de certo bom gosto, adora eles.
Toda a vez que preciso de um dinheiro extra, toco uns CDs dos
Beatles, ou ponho um DVD desses velhinhos e finjo que estou vibrando.O
velho fica emocionado, elogia meu gosto musical (aaarrrgghh!)
e solta a grana fácil, fácil.
Outro dia, resolvi dar uma olhada na coleção de
discos dele (acreditem, amigos amantes do rock moderno, quase
tudo era mesmo "discos" de vinil). Um dia conto para
vocês what the hell é isso ! Tomei coragem
e ouvi alguns deles. Holly Kurt Cobain! É um suplício
que não desejo nem ao meu pior rival. Que coisa horrível
a velhice, não? Será que algum dia nossos ouvidos
vão chegar a essa desgraça?
Só como exemplo desses horrores do passado, botei na tal
"vitrola" (há!há!há!) e li dois
troços esquisitos: no selo estava escrito "long-play"
(que Diabo será isso?) e em seguida o nome do artista ou
da artista, sei lá eu : Glenn Miller e sua banda, que só
ouvi porque era meu xará. Que vergonha pra mim. Quase vomitei.
Uma bandinha melosa, de som antediluviano, que meu pai chega até
a chorar quando ouve!
Tomei coragem e ouvi mais um. Uma tal de Billy Holliday, que só
descobri que era mulher quando começou a cantar. My
God!! Algo de dar medo. Basta dizer a vocês que, perto
dela, "Duran Duran" é futurista!!
Não tive coragem para ouvir mais nada da coleção
do meu velho. Pra compensar tanto sacrifício, saí
correndo pro meu som e botei o que considero um dos tops
da música mundial : "The Devil in Your Ears",
dessa banda supercool, os Sledgehammers. Como é
bom ouvir um som jovem, não?
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