| Xeque
líbio e futebol
"Li
com interesse a reportagem sobre o acordo pioneiro entre o jornal
de vocês e o milionário líbio. Parabéns,
mas o que mais me interessou foi a declaração dizendo
que ele e o filho estão interessados em comprar clubes
de futebol brasileiros.Com petrodólares, tudo se resolve,
não? Aqui em casa, somos dois sofredores que há
muito não conhecem alegria com o futebol. Eu sou torcedor
do Coríntians e minha mulher, que é carioca, torce
pelo Flamengo. Será que estou sonhando alto demais ou esses
dois clubes podem estar na mira do tal milionário?"
Vicente Romário Mateus, Penápolis, SP
Pode ser,
Mateus, mas parece difícil. Nosso repórter contou
que, durante a entrevista com o xeque árabe, ele confessou,
em português com forte sotaque: "Brimo meu brasiliani
diz pra toma muita cuidado com o Colíntian e Framengô".
"Como
palmeirense fanático, detesto o Coríntians e queria
aproveitar a visita ao Brasil do bilionário da Líbia
para dar uma sugestão: que tal ele comprar o Coríntians
e levar tudo, dirigentes, jogadores e torcida, para o país
dele?" Mustafá Rivelino Fiúme, São
Paulo.
Goodson
e mariachis
"Quero
parabenizar o Kenneth Goodson pelo certeiro artigo da última
edição, criticando e satirizando os mariachis mexicanos.
Eu estive a semana passada no México em lua-de-mel, que
quase foi cancelada por causa desses caras, que parecem estar
em todo lugar, até mesmo na suíte onde eu e a minha
mulher ficamos num hotel. Saíamos para almoçar,
e lá estavam eles. Íamos dar uma volta pela cidade,
e apareciam não se sabe de onde. Até que numa noite
quente e enluarada, eu e minha mulher na sacada do hotel, tomando
champanhe, e mais do que românticos, eis que os mariachis
aparecem na sacada da suíte ao lado da nossa. Foi demais,
mesmo com a hospitalidade dos mexicanos. Pegamos um avião
e voltamos para o Brasil." Emiliano Vicente Delfox,
São Paulo.
"Sou
mexicano e moro no Brasil há dois anos, mas nunca pensei
que seria tão insultado por aqui como no artigo do Kenneth
Goodson, no qual, com a habitual insensibilidade dos europeus
para coisas latino-americanas, investe grosseiramente contra os
mariachis, uma das nossas mais queridas tradições.
Eu e a comunidade mexicana neste país repudiamos este tipo
de ironia gratuita.Se ele quer falar de coisas realmente aborrecidas,
por que não escreve sobre aquela horrenda música
com gaitas de fole, um tormento para ouvidos sensíveis,
como os nossos, mas que os britânicos incompreensivelmente
adoram." Agustin Lara Menendez, Curitiba, PR.
Laurel
na berlinda
"Esse
brasilianista que vocês arranjaram devia mudar o nome da
profissão dele para" imbecilista", pois só
há malícia e inverdades em sua última coluna,
falando sobre os habitantes de Governador Valadares que tentam
trabalhar a todo custo nos Estados Unidos. Nasci, me criei e vivo
na cidade há 45 anos e nunca tentei ir trabalhar lá
e muito menos sou contista mineiro." Carlos Drumond de
Almeida, Governador Valadares, MG.
O Laurel
responde: "O caro leitor Carlos Drumond talvez seja exceção
ao que presenciei e escrevi. Mas a verdade é que, durante
a nossa frustrada tentativa de entrar nos Estados Unidos, conversei
com pelo menos dez mineiros do nosso grupo e oito disseram que
escreviam contos".
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