Brasil desenvolve
botox alternativo

Pesquisadores do Centro de Altos Estudos da Biodiversidade Amazônica (CAEBA), sediados no Campus da Universidade Federal de Tocantins (UFTO), anunciaram no último dia 18 de março a obtenção de botox de baixo custo (valor até 25% inferior ao praticado na comercialização do similar importado), produzido com matérias-primas abundantes tanto no Pará como no Amazonas. A informação me foi prestada com exclusividade pela geriatra e chefe da equipe de pesquisadores daquele renomado instituto de pesquisas, Professora Doutora Lucienne Diva Chou. Na ocasião, a Dra. Chou esclareceu que a fabricação do botox, de extenso emprego nos tratamentos de beleza, envolve a reação química e em condições controladas do óleo do dorso do boto-cor-de-rosa (Inia geoffroyensis) com o óxido do pigmento vermelho do açaí (Euterpe oleracea). "O produto final - um óleo viscoso e da cor da pele - pode então ser injetado subcutaneamente para a atenuação de rugas", disse. Perguntada sobre a eficiência do produto e os riscos de sua aplicação, a cientista afiançou que "o novo botox tem se mostrado eficaz no rejuvenescimento, com baixa incidência de rejeição".

A Dra. Chou esclareceu que as pesquisas para o desenvolvimento do produto tiveram início em janeiro de 1993, através da celebração de convênio entre a entidade que preside e a Prefeitura do Município de Curacaraí, no Amapá. Informou que o investimento na reaparelhagem dos laboratórios do CAEBA envolve desembolso da ordem de R$ 48 milhões, aplicáveis ao longo dos próximos dois anos, quando termina a administração da Prefeita Márcia Tucupy.

Procurada pela reportagem do SacolãoBrasil, a Prefeita Tucupy declarou que o projeto por ela idealizado é de caráter social. Isto porque, segundo ela, "objetiva garantir pleno emprego aos pescadores da região - através da captura do boto - e também aos produtores ribeirinhos do açaí, fruto da palmeira nativa da região Norte do Brasil". O articulador político do convênio, vereador Cleriston Adreílson da Silva, também em depoimento à nossa reportagem asseverou que a vantagem econômica da iniciativa de Tucupy é a redistribuição de renda à população, "sobretudo aos menos favorecidos financeiramente, que contam com renda anual per cápita de R$ 175,00. Em oposição à elite econômica, onde os ganhos líquidos chegam a R$ 18.000,00 por habitante/ano". Evidência disso - acrescentou - "é que as 48 mulheres mais ricas da elite de Curacaraí fazem aplicação de botox importado de duas a três vezes ano ano, a custo médio de R$ 5.000,00 por sessão. E isto quando não vão a São Paulo, onde o custo é triplicado".

O principal líder da ala de oposição à prefeita, vereador Luís Orácio da Silva Igarapé - conhecido pelo estranho apelido de Octopus do PT (literalmente oito dedos do PT) - contudo, contesta e argumenta que "por questões de vaidade pessoal a própria Prefeita Tucupy aprovou o convênio com o CAEBA para ela própria se beneficiar do barateamento do custo de produção local e da aplicação do botox". Irreverente e provocativo, Igarapé mostrou despacho de processo legislativo onde solicita abertura de inquérito administrativo contra a prefeita, afirmando que "a companheira usou recursos públicos do município para efetuar inúmeras e onerosas aplicações de botox em São Paulo que, ao final, lhes renderam cara de angu de caroço e lábios que lembram o aspecto das alças de velhas sandálias havaianas".

A presidente da Câmara dos Vereadores, Marielza Albuquerque e Lins de Cavalcanti, discorda da posição e dos questionamentos de seu colega Igarapé e diz que o importante "é que tenhamos dominado a tecnologia da produção do botox alternativo, que não só atenderá a demanda do nosso município como, no curto prazo, será fonte de receita para Curacaraí. Prova disso é que já contamos com encomendas de 2,5 toneladas do produto nos próximos dois anos. Tudo para uma única prefeitura, a de São Paulo", concluiu.


* Cornelius Klein visitou pela segunda vez Tocantins para elaborar este artigo. A primeira vez foi em 1948, quando ainda não existia o novo estado.Na ocasião, ele pesquisava as raízes de uma planta da família das solanáceas (Capsicum fructescens), que o levou a descobrir a cura para a inflamação subcutânea conhecida como "cara de fogo".