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De
passagem por São Paulo, a caminho da Patagônia, onde
vai rodar seu próximo filme, "Acru Asole" (em
tradução livre,algo como "Sonhos e Pesadelos
Num Mundo Indiferente e Agnóstico Onde a Fé Foi
Esquecida Por Todos os Pobres Mortais"), o grande cineasta
romeno Bani Cald (dinheiro quente) nos concedeu no aeroporto uma
breve entrevista. Aparentando muito menos que seus 23 anos, simpático,
sorridente e bastante acessível, o jovem cineasta, primeiro
prêmio no Festival do Cinema Futurista, realizado o mês
passado em Gstand,no Paquistão, viaja em companhia de sua
mulher e produtora, a australiana Phyllis Trecca. A seguir, a
rápida entrevista que nos concedeu, em inglês, já
a caminho do avião.
Jean-François
Silva: Saiba, Mr. Cald, que seus filmes têm, além
de mim, uma legião de fanáticos admiradores brasileiros,
principalmente o épico "Creier Obosit". Uma curiosidade
nossa: ele é baseado em Dostoievski? Em qual obra dele?
Bani
Cald: Gostei de você citar este filme, que é
o meu favorito. Lamentavelmente a crítica internacional
não falou muito bem dele.Creio que não entendeu
bem. Mas fico feliz que tenha tido outra acolhida entre os brasileiros.Na
verdade, eu baseei meu roteiro em livros de vários autores,
entre eles, Pasternak , Gogol, Kerveshenko,Smith-Jones,Putinov,
Mike Hammer, Lavrenti Beriasky, Sax Spillane, Mickey Rohmer, Shervadnaze,Checov
e Desmond Melville, para citar só alguns. É uma
espécie de antologia, poética e profética,
sobre o fim da União Soviética e o futuro de seu
povo. Não sei se você sabe, mas o crítico
Paul-Gaspard Louche, da ala dissidente e contestadora do "Cahier
du Cinéma", foi categórico: "É
o filme definitivo do milênio".
JFS:
Olha, Mr. Cald, eu endossaria facilmente essa opinião!
Mas ainda prefiro o que considero sua obra-prima definitiva, o
maravilhoso "Orb Ac". A cena das baratas multicoloridas
invadindo a chefatura de polícia, na aldeia dominada pelos
bárbaros cossacos, disfarçados de saltimbancos,
está entre os grandes momentos da história do cinema
e o que considero a suprema alegoria cinematográfica sobre
o poder corruptor, escravizando os humildes sem voz nem rosto.
BC:
Puxa,vejo que você gostou mesmo do filme! Mas deve haver
algum engano. "Orb Arc", na verdade, é uma fábula
musical e infantil sobre uma lenda pastoral do meu país...O
monstro da colheita vai devorando... Olhe...adorei nossa conversa,
mas tenho que pegar o avião. Adiús, brasilianis!"
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