Tudo acontece no
Carnaval, pra melhor ou pior

Marlene Maria, talvez a minha melhor amiga até hoje, é uma mulher muito bonita, inteligente, já passou por quase tudo que a nossa ocupação enfrenta. Casou cinco vezes, de papel passado mesmo, sem falar em vários outros relacionamentos, e foi presa pelo menos umas dez vezes. Eu conto isso porque ela não se importa, pois diz que a profissão que escolhemos tem muito dessas coisas, principalmente enfrentar injustiças, brutalidades e prisões, Marlene costuma dizer que "entrar em cana" e passar pelas mãos, muitas mãos, da polícia, não é nada, comparado ao que os caras que exploram mulheres fazem com a gente.

Mas não eram essas coisas ruins que eu queria lembrar pros meus leitores.O Rei Momo já chegou e é melhor contar histórias alegres. Minha amiga costuma dizer que "tudo de bom e de ruim que me aconteceu foi no Carnaval". Então eu me lembrei disso e queria lembrar uma coisa que ocorreu comigo, felizmente de bom.

Foi em Punta Del Este, no Uruguai, em 1991. Eu e outra amiga do peito, Lúcia Mercês, tínhamos ido lá curtir o carnaval uruguaio, que falavam que era o máximo, mas era mentira, muito devagar, como descobrimos.

Uma tarde, na beira da piscina de um hotel que cobrava uma nota preta, um homem que era um tesão, bonito, alto, de cabelos bem pretos, seus 40 anos mais ou menos, se apresentou pra mim e disse: "Sou o senador...(o nome eu não digo) e gostei muito de você. Que tal a gente passear na minha lancha?"

Parece brincadeira, mas os políticos são umas raposas, conhecem a gente de longe... Eu disse de cara que topava. A Lúcia não sei, mas eu passei alguns dos melhores dias da minha vida com o tal senador. O carro meu foi presente dele, se querem saber. Foram dias tão bons que somos amigos (e bem mais que isso...) até hoje. Ele ficou milionário, deixou a política e de vez em quando, mesmo casado, telefona me convidando para um programa, e que programa.

Em todo Carnaval sempre acontece coisa boa comigo. Este ano espero que seja tão quente como os outros. Mas o que eu queria mesmo é que o senador me telefonasse mais vezes pra gente aprontar umas e outras.