Cientistas tailandeses
prestes a sintetizar vacina
contra gripe do frango

Preocupados com o déficit na balança comercial do país - cujo primeiro produto na pauta de exportação é representado pela venda de aves, seguido do arroz -, cientistas da Tailândia concentraram esforços no sentido de ajudar o monarca Birenda Xhora Plus em sua feérica campanha "gripe zero". A preocupação é procedente e plenamente justificável se considerarmos que aquele longínquo país asiático depende da exportação de aves, hoje afetada pela existência da deletéria gripe do frango. Vale ressaltar que esta enfermidade é de alta letalidade se transmitida ao homem. A exemplo do que já ocorre com a Sars (do inglês Severe Acute Respiratory Syndrome e que em português poderia ser traduzida por síndrome respiratória aguda grave), que desde outubro de 2003 causou inúmeras mortes na China.

"O risco maior da disseminação da gripe do frango é que o vírus H5N1V22 apresenta elevado grau de mutação e quando as cepas dele derivadas instalam-se nos homens, estes passam a apresentar sintomas que se confundem com o da gripe comum, do cólera e até mesmo da bronquite", esclareceu o diretor do Centro de Zoonose da Universidade de Luang Prabang, infectologista Dr. Chadrup Chopel. Liderando equipe de 17 cientistas, que se revezam em 24 horas de atividade constante, Dr. Chopel informou já haver seqüenciado o DNA da variedade mais perigosa do vírus, que é a penúltima etapa para a sintetização de uma vacina de eficiência comprovada. Disse, ainda, trabalhar em três linhas básicas de pesquisas.

"A primeira engloba a forma aviária, que acomete mais freqüentemente os animais transportados por avião. As demais são a ferroviária, incidindo mais fortemente sobre as aves exportadas por via férrea, e a aquaviária. Esta última restrita unicamente ao comércio praticado na capital do país, entrecortada por centenas de canais (equivalentes aí no Brasil aos igarapés ou aos cursos d'água de pequena profundidade)". Por esta razão, as autoridades sanitárias tailandesas proibiram a ingestão de frangos e galinhas, que estão sendo incinerados ou mesmo enterrados vivos nas regiões centrais do país, onde os terrenos são firmes e, muitas vezes, desérticos.

É curioso notar que a equipe do Dr. Chopel conta com a presença de um brasileiro,o Prof. Gardelmir Erlânio Cavalcanti, titular de Farmacologia Hidrodinâmica da Universidade Federal de Piripiri, no Piauí. Por sua alta especialização no campo da hidráulica, o Prof. Cavalcanti foi escolhido como o pesquisador-sênior encarregado da modalidade aquaviária.

Informou ver com grande preocupação a enfermidade que assola o plantel avícola da Tailândia, sobretudo pelo fato de formas atenuadas do vírus já haverem migrado para as demais nações vizinhas. É o caso do Camboja, Laos e Vietnã, onde já foram constatados os primeiros casos de infestação em frangos e perus. Contudo, "o mais grave é o caso da China, já que cepas resistentes do vírus N2P6K7 já foram encontradas em patos", afirma o cientista brasileiro. Situação efetivamente dramática sobretudo se considerarmos que com a enfermidade os chineses já estão obrigados a deixar de consumir o milenar e famoso "pato laqueado de Pequim", que movimenta vendas no valor de 1,8 bilhão de yuanes (a moeda local chinesa,cuja cotação em meados de janeiro deste ano de 2004 atingia a cifra de 10 yuanes para cada dólar norte-americano).

Confiante no êxito de sua missão científica, o sempre bem-humorado Prof. Gardelmir Erlânio concluiu seu depoimento dizendo jocosamente que "não é apenas a economia que está globalizada. Até as enfermidades animais e as restrições alimentares abarcam hoje o mundo todo. Enquanto no Ocidente não se pode mais comer as vacas, a população oriental também já está privada de comer as galinhas ou, para quem gosta, os perus".


* Cornelius Klein, cientista especializado em genética animal e criogenia humana, foi candidato ao Prêmio Nobel de 1947, com sua experiência em que congelou milhares de cabeças de gado contaminado na Mongólia, enquanto pesquisa a cura para a epidemia conhecida como GKBD(Genghis Khan Bovine Disease), ou Doença Bovina de Gêngis Khan.