"Cangaceiros da Folia" esquentam o frio
carnaval da Dinamarca


Por Federicia Fyldepen
Correspondente na Escandinávia

A Dinamarca não é exatamente um país de foliões, mas, no que depender de um grupo de brasileiros, Copenhague vai conhecer este mês um animado carnaval. Pelo menos no bairro Gammel Sild, mais especificamente, na rua Torsk, onde vive uma pequena comunidade de brasileiros. Foi lá que nasceu, três anos atrás, o grupo "Cangaceiros da Folia", cujo nome, sem equivalente no idioma local, foi batizado pelos amigos e admiradores dinamarqueses de "Lystig Sindssyg Brasilianer", ou algo como "Os Alegres Loucos Brasileiros".

Sandoval Luiz Oliven, carioca de origem dinamarquesa, que vive em Copenhague há oito anos, foi o fundador do grupo, que nasceu, segundo conta, numa noite escura e gélida, num bar freqüentado por brasileiros. "Era fevereiro, eu e meus amigos lembrávamos com saudade do Carnaval brasileiro, e então veio a idéia: por que não criar um bloco e fazer um pequeno carnaval nosso aqui na rua Torsk?"

Segundo Oliven, a idéia logo se tornou realidade e em pouco mais de um mês nascia "Cangaceiros da Folia". O grupo é formado por quatro brasileiros e dois dinamarqueses, que já moraram no Brasil e adoram o nosso Carnaval . Um deles, Randers Udland, gosta de gritar em português, com seu forte sotaque dinamarquês: "Vamós caier na fôlia!"

Oliven, o fundador, conta: "o nome 'Cangaceiros da Folia' foi dado por causa das fantasias que um costureiro amigo nosso criou anos atrás para um show teatral em Copenhague e nos ofereceu sem qualquer custo." Marcelina Gonçalves, uma pernambucana de 37 anos, que logo aderiu ao grupo, fez uma adaptação nas fantasias, que ficaram um pouco parecidas com as roupas dos cangaceiros. Hoje, o conjunto de seis membros e mais a "empresária e costureira" Marcelina, virou atração na capital dinamarquesa, e não apenas no carnaval local, que não acontece na mesma época do nosso.

Ilegais e alegres

"No verão daqui", explica Oliven, "chegamos a fazer até três espetáculos por mês e as dinamarquesas, embora muito duras de cintura,ensaiam uns passos que de vez em quando, e com um pouco de boa vontade, parecem até com o rebolado das nossas mulatas". As músicas do grupo são velhos sucessos carnavalescos brasileiros, um deles, "Mamãe Eu Quero", adaptado para o idioma dinamarquês, é o mais popular de todos. Além de "Garota de Ipanema","Baião de Dois", "Aquarela do Brasil" e "As Pastorinhas",tudo em ritmo de batucada. Este ano, Oliven e o amigo Hans Christian Andersen Grammofon, compositor local de ópera, criaram uma composição que já se tornou um sucesso, inspirada na vida de alguns brasileiros que vivem clandestinamente no país. Mistura de batucada, xaxado e valsa, a população local já batizou a música de "Iloinen Laiton", ou "Os Alegres Ilegais".