| Correspondente
na Europa
Acaba
de cair por terra mais um mito, pelo menos aqui em Lausanne, o
de que anões não morrem. Quem nos informa de tão
importante verdade filosófica é o antropólogo,
especializado em comportamento, e filósofo do cotidiano,
Dettmar Angeber, um ítalo-austríaco, o que, por
si só, já é um paradoxo. "Cresci",
diz ele, "ouvindo histórias, algumas divertidas, outras
patéticas, de que os anões seriam imortais".
"Defensores dessa tese", argumenta, "lançavam
- e claro a estatística parecia dar-lhes razão sempre
- a inesperada pergunta diante de uma platéia, perplexa:
"Algum de vocês já ouviu falar em velório
de anão, em enterro de anão, em atropelamento de
anão, ou em internação de anão em
algum hospital?"
Diante da óbvia resposta negativa, rapidamente vinha a
explicação: "É que anão não
morre".
"As pessoas iam para casa", conta Angeber, "e passavam
a semana toda tentando, sem sucesso, lembrar-se de algum caso
para desmentir a tese no encontro seguinte".
"Conversa vai, conversa vem", recorda o ítalo-austríaco,
eis que, finalmente, surge um candidato a botar por terra a tese.
Vocês se lembram de um anãozinho, que sempre aparecia
de fraque, ao lado do Ricardo Montalbán, naquele seriado,
acho que se chamava"Ilha da Fantasia"? Pois é,
ele suicidou-se".
"Dessa vez", inflama-se o paradoxal antropólogo,
"os defensores da tese calaram-se. Duas rodadas de bebida
mais tarde, um deles encheu-se de coragem e contra-atacou: Suicídio
não vale. Tem de ser morte natural, morte morrida".
Em fins do ano passado, sempre segundo o relato de Angeber, finalmente,
o mito caiu. Em despacho de Paris, a agência "France
Presse" informou a morte do ator Pièrre Pieral, de
1 metro e 23 centímetros, aos 79 anos, por sérios
problemas de saúde, conforme disseram seus familiares.
Pieral, que como todos os demais anões-atores também
começou sua carreira no circo, debutou no cinema, aos 18
anos, num filme de Marcel Carné. Ao longo de sua carreira,
participou de quase 30 filmes, dentre os quais "O Obscuro
Objeto do Desejo", de Luís Buñuel; além
de peças e séries de TV. O anão francês
era especializado em papéis de vilão.
"Já que o mito caiu", argumenta Angeber, "deixo,
aqui, novo desafio aos leitores do SacolãoBrasil:
duvido que existam, pelo menos no Brasil, anões de traços
orientais (japoneses, chineses ou mongóis), índios
ou anões gêmeos".
Varre,
varre, vassourinha... - O assessor de Imprensa do ator Arnold
Schwarzenegger, governador da Califórnia, Ernesto Galindez,
mais conhecido na comunidade hispânica daquele Estado como
"Viejo Cabrón", revelou, em entrevista à
tevê mexicana, os bastidores da campanha do ator de "O
Exterminador do Futuro".
Galindez contou que o uso da vassoura como símbolo da campanha
fora uma sugestão de um imigrante mineiro, de Montes Claros
(MG), que vive em Santa Mônica, na Califórnia, há
uns dez anos. O mineirinho esperto, segundo o assessor de Arnold,
havia sido, no Brasil, marqueteiro e fã de carteirinha
do ex-presidente, Jânio Quadros, que fez meteórica
carreira política, entre as décadas de 50 e 60,
tendo como símbolo exatamente uma vassoura. Quem não
se lembra do slogan: "Varre, varre, vassourinha, quanto bem
você tem feito?"
Como se deduz dessa história, os americanos são
meio lerdos em assimilar lições de marketing político.
No fim da entrevista, o repórter mexicano quis saber de
"Cabrón" se o brasileiro, cujo nome ele se recusou
a revelar por questões de segurança, iria ganhar
algum cargo na assessoria do governador. A resposta veio rápida:
"Ele vivia em situação irregular na Califórnia.
Por isso, nós lhe demos o green card".
(*)
Werner Ghestaldo, o mais novo colaborador do SacolãoBrasil,
é jornalista, escritor, musicista e psicoterapeuta e foi
o primeiro ombudsman da imprensa mundial, em 1952, no diário
suíço Giornale di Lugano. |